Apesar de pré-candidato à reeleição e de ser o nome do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) para a disputa pelo Palácio das Esmeraldas, o governador Daniel Vilela (MDB) tem intensificado sua agenda institucional e administrativa no início de sua gestão no Executivo estadual.
Desde que assumiu o governo do Estado, no dia 31 de março, Daniel trabalhou com entregas nos municípios e com liberação de recursos para obras de infraestrutura. O programa Goiás em Movimento Municípios (GMM), que deve investir R$ 95 milhões em 44 cidades, foi um dos movimentos do governador para atender os prefeitos goianos. Vale ressaltar que o governador herdou de Caiado o apoio massivo dos prefeitos e tem o municipalismo como bandeira de gestão.
A estratégia de Daniel e do grupo palaciano é dar ritmo para a gestão neste início de governo e fazer com que as movimentações políticas de campanha eleitoral ganhem tração com o decorrer do tempo. A leitura também passa pelo entendimento de que, a partir do meio do ano, com o recesso da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e da Câmara dos Deputados, as movimentações em torno das pré-campanhas eleitorais irão ganhar tração, sobretudo no interior do Estado, já que os deputados da base estarão em modo de campanha.
Em razão disso, o grupo governista avalia que os movimentos eleitorais, como os encontros da base aliada, que já teve edições em Jaraguá, no lançamento da pré-candidatura de Daniel, e Luziânia, que foi o primeiro ato político do emedebista como governador, irão acontecer, mas não serão o foco principal do Palácio das Esmeraldas neste primeiro momento. Por enquanto, a pauta política segue mais sob reserva dos bastidores.
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Royalties do petróleo
Até lá, Vilela se concentra em articulações de cunho administrativo. Na última quarta-feira (29/4), o governador esteve com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O chefe do Executivo estadual busca, junto aos magistrados da Corte, a renegociação da distribuição dos royalties de petróleo.
Com as regras atuais, que concentram os pagamentos aos Estados e municípios produtores, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo concentram 95% dos pagamentos de royalties. O governo goiano estima que a perda acumulada entre 2013 e 2025 chega a R$ 6 bilhões. Acompanhado do procurador-geral do Estado (PGE), Rafael Arruda, Daniel esteve com os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux e André Mendonça.
Outro foco da administração emedebista tem sido a política habitacional e o discurso massivo de segurança pública. O governador busca dar o tom de continuidade da gestão Caiado, que tem aprovação na casa dos 80%. A leitura é que, com as agendas administrativas e institucionais, Daniel pode alinhar seu perfil de gestor ao do ex-governador.
Sucessor de Caiado
A estratégia, para além de tentar manter o índice de aprovação, pode reverberar eleitoralmente. Isso porque a pesquisa Genial/Quaest da última quinta mostrou que 73% dos goianos dizem acreditar que Caiado merece eleger um sucessor. A expectativa do grupo de Daniel é justamente que, atrelado à gestão do ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, o emedebista consiga ser reeleito em outubro.










