A maioria dos suíços rejeitou neste domingo (14) uma proposta da direita radical que pretendia impor limites rígidos à imigração e ao crescimento populacional do país. Segundo projeções do instituto gsf.bern, o “não” venceu com 55% dos votos, afastando um cenário que poderia alterar significativamente a política migratória suíça e tensionar as relações com a União Europeia.
A iniciativa era defendida exclusivamente pelo Partido do Povo Suíço (SVP), legenda populista de direita que argumentava que o país perdeu o controle sobre o aumento da população. O texto previa a adoção de medidas restritivas caso a Suíça atingisse 9,5 milhões de habitantes antes de 2050.
Os defensores da proposta afirmavam que a limitação seria necessária para enfrentar problemas como escassez de moradias, alta dos aluguéis, expansão urbana desordenada, superlotação do transporte público, aumento da criminalidade e pressão sobre os sistemas de saúde e educação.
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Suíça é composta por 27% de estrangeiros
A medida, porém, encontrou resistência ampla. Governo, Parlamento, principais partidos políticos, sindicatos e entidades patronais se posicionaram contra o projeto. Para esses setores, a aprovação poderia comprometer os estreitos laços econômicos mantidos com a União Europeia, principal parceira comercial do país, embora a Suíça não faça parte do bloco.
O resultado do referendo foi definido em um país onde os estrangeiros representam 27% da população, o equivalente a mais de 2 milhões de pessoas. Em 2024, a maior parte desse contingente tinha origem europeia.
Os italianos formavam a principal comunidade estrangeira residente na Suíça, seguidos por alemães e portugueses. Os imigrantes vindos da Ásia respondiam por 9% do total, enquanto africanos e moradores originários das Américas representavam 5% e 4%, respectivamente.
