A disputa da Copa do Mundo nos Estados Unidos ocorre sob o receio de que operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) atinjam torcedores e pessoas ligadas ao futebol durante o torneio. Um relatório divulgado pela organização Human Rights Soccer Alliance afirma que o esporte passou a concentrar parte das ações de fiscalização migratória do governo do presidente Donald Trump e pede que a FIFA adote medidas para impedir abordagens em estádios e áreas oficiais da competição.
O documento reúne 17 casos de pessoas ligadas ao esporte detidas desde o início de 2025, quando a política migratória foi intensificada. Entre os afetados estão jogadores, treinadores e pais de atletas. Três deles foram deportados, segundo a organização, que atribui o cenário ao fato de o futebol estar fortemente inserido em comunidades imigrantes.
“O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, (…) as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas”, afirma o relatório.
A Human Rights Soccer Alliance demonstra preocupação com a possibilidade de que a política migratória alcance os jogos da Copa do Mundo. Segundo a entidade, não há orientação oficial impedindo prisões em estádios nem proibição para que agentes do ICE atuem nos eventos do torneio.
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Por isso, a ONG pede que a FIFA impeça a aplicação das medidas anti-imigração “em todos os locais da Copa do Mundo e em seus arredores”, não compartilhe dados do público com autoridades migratórias e oriente equipes a não cooperarem com agentes do ICE sem a apresentação de mandado judicial.
Com base em dados do governo norte-americano, o relatório aponta que, entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, o ICE realizou 92.392 prisões nas cidades que sediam partidas da Copa do Mundo. Para a organização, o número reforça a preocupação com a segurança de imigrantes durante o evento.
