A pré-campanha presidencial ficou tão uniforme que parece disputada apenas por norte-coreanos. E seus participantes se igualam no que há de pior, a patetice de achar que o eleitor vai escolhê-los mesmo sem plano algum. Um bom número de idiotas vota graças à polarização, mas felizmente esses tontos são insuficientes. Seria ótimo para o País se ao menos os cinco principais concorrentes dissessem desde já como vão combater o Custo Brasil, um gargalo presente em todas as áreas.
Por ordem de classificação nas pesquisas, o que Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm em mente para a industrialização. Até agora, as fábricas funcionam por insistência de seus abnegados donos e funcionários. As políticas públicas se concentram em quem gasta o dinheiro dos tributos, não em quem os paga. Para o empreendedor, fiscalização crudelíssima e leis ainda mais ferozes. O que os candidatos acham disso? Deles, apenas Zema é industrial.
A expectativa para a Educação é continuar torrando bilhões em faculdades sucateadas e fornecedores pilantras, que há décadas roubam as verbas do setor. A maior parte do dinheiro que escapa da ladroagem vai para a folha de pagamento. Professores e estudantes não têm a menor chance de prosperar num mundo que está na era da inteligência artificial vindos de um país que prefere enfiar bilhões em livros didáticos cuja única serventia é doutrinar. Dos cinco presidenciáveis, Caiado foi professor. O que estará guardando para os colegas?
A reforma, em vez de reduzir os impostos, jogou nas costas de quem produz
Houve uma reforma tributária, que entrou em vigor no primeiro dia deste ano. Em vez de reduzir os impostos, juntou tudo e jogou nas costas de sempre, o infeliz que produz. A medida foi fundamental para cobrir a doação feita pelo governo aos que ganham até R$ 5 mil, agora livres de recolher o Imposto de Renda. Tudo bem que o IR é injusto, porém os demais permanecem sendo. Se o passante coloca uma nota de R$ 10 no chapéu de um mendigo, acaba de dar R$ 5 para o governo, pois é o que o agraciado vai deixar de impostos quando comprar um corote. [Detalhe: nada de atirar moedinha em lata de marmelada de quem pede esmola, pois é uma afronta, não compensa se abaixar para apanhá-la]. Renan, Zema e Caiado são empreendedores e sofrem com isso. Espera-se que afrouxem as rédeas, mesmo que o eventual governo de algum deles continue montando em quem é roubado via impostos, ou seja, todo mundo.
A tal política de transferência de renda vai ser uma unanimidade entre os candidatos, à exceção de Renan Santos, inimigo declarado do populismo, aí incluso o Bolsa Família. Fora ele, todos os demais já aplicaram projetos sociais. Flávio nunca exerceu o governo nem participou de Executivo, mas segue o modelo de seu pai, Jair Bolsonaro, em cujo mandato houve projeto semelhante. O quarteto vai acabar com os programas sociais?
São muitos os setores da administração que alteram o Custo Brasil, porém, nada abala mais que o sistema viário. É o pior dos piores. E o pior é que incide em tudo. Nada há no Brasil que preste em termos de rodovia, ferrovia, portos, aeroportos, navegações. Nada, nada. Os governantes não se ruborizam quando anunciam que fizeram milhares de quilômetros de rodovias, quando apenas jogaram sobre elas um líquido preto. Empreiteiros e políticos ficam com a maior parte do dinheiro e a população, com o prejuízo. Esses roubos ocorrem há séculos e nada de ruim acontece aos salteadores. O que os cinco presidenciáveis têm para o escoamento?
Na tecnologia? Tudo está por ser feito
Tudo está por ser feito no ramo da tecnologia. Para os políticos, isso é sinônimo de fazer vídeo ruim para redes sociais. Renan, único dos concorrentes que apresenta propostas, diz que vai transformar o Vale do Paraíba, em São Paulo, no Vale do Silício. Espera-se que explique como e com que dinheiro. Seus adversários fazem pior: sabem bem que diabos é silício. Há alguns deles que podem confundir com prótese de silicone.
Os juros são uma chaga até agora incurável. Os piores são os que fulminam o setor produtivo, nas cidades e no campo. Os maiores são os pagos pelos governos aos agiotas internacionais. Nenhum pré-candidato teve a coragem de dizer que vai brecar esse escândalo. O financiamento é um dos mais chocantes itens do Custo Brasil, pois em nenhum lugar do mundo banqueiro tem piedade, mas este país é o único lugar do mundo em que os setores público e privado se unem para multiplicar seus everestes de notas de 100 dólares.
O silêncio dos pré-candidatos sobre o planeta sem trabalho
Nenhuma sílaba dos pré-candidatos também sobre o planeta sem trabalho. Não é desemprego, é a falta de ter o que fazer. Os robôs vão fazer tudo, então, o único serviço que vai existir é o de fazer robôs que vão fazer os robôs. O detalhe é que o profissional médio brasileiro não consegue sequer dirigir um trator, fazer algo com o ChatGPT ou Gemini. Como essa galera vai sobreviver. Aí, voltam-se às bolsas e se conclui que o Custo Brasil é o de menos, o problema insolúvel é o Brasil (ou os que querem governá-lo sem ter a mínima ideia do que fazer diante de tanto desafio). (Especial para O HOJE)










