Como se não bastasse o cenário eleitoral conturbado e marcado pela polarização no Brasil, a rejeição pelo Senado do indicado de Lula (PT) para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, é mais um fator que pode colaborar para o clima tenso na conjuntura política do País.
Analistas políticos avaliam a recusa do advogado-geral da União (AGU) por senadores como resultado do crescimento do antipetismo no eleitorado brasileiro e no Congresso. Cabe destacar que após a derrota histórica na indicação do AGU para a Suprema Corte, parte da ala que compõe a base do chefe do Executivo nacional defende vingança contra o presidente da Casa Alta do Congresso, Davi Alcolumbre (UB-AP), o que pode ser realizado por meio de retaliação, com a retirada de cargos inerentes ao comandante do Senado.
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) conturbou relação com o Senado – Créditos: Marcelo Camargo/ABr e Andressa Anholete/Agência Senado
No entanto, outros apoiadores do petista veem como melhor alternativa o presidente da República focar na gestão enquanto o Congresso acalma os ânimos em torno das várias pautas polêmicas que estão em andamento em Brasília.
Depois de Alcolumbre conseguir o apoio da maioria dos senadores, o advogado-geral da União não atingiu a quantidade necessária de votos, de ao menos 41, para virar ministro. No calor do momento, a sensação era de governo arruinado e sem entender a derrota. Chama atenção o silêncio do chefe do Palácio do Planalto em relação ao caso, mas assessores dizem que Lula ainda reflete sobre como reagir.
De acordo com fontes próximas ao presidente, Lula disse que sua função é fazer a indicação. Já o Senado é responsável por aprovar ou rejeitar e que, por isso, o governo tem de respeitar a decisão dos senadores. Informações levantadas pelo portal de notícias G1 dizem que os senadores da oposição ao governo reiteraram que Alcolumbre foi uma peça essencial na derrota da indicação de Messias.
No Senado, o nome defendido para ocupar vaga no STF era o do senador Rodrigo Pacheco, que já comandou a Casa – Créditos: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Resultado inesperado
Os parlamentares contrários a Lula costumam contar com 32 votos no plenário da Casa, porém o placar registrou dez a mais. Deste grupo, que completou os 42 votos contra Messias, boa parte votou contra Lula por influência do presidente do Senado, de acordo com o G1.
Ainda no plenário do Senado, a oposição fazia questão de destacar que a rejeição ao AGU era um recado não apenas para Lula, mas também para o STF. Do ponto de vista eleitoral, especialistas afirmam que o petista ainda segue como um pré-candidato competitivo à Presidência da República, o que vai contra a ideia de que, com a rejeição de Messias, o governo caminharia para uma situação de completo fracasso.
Em entrevista ao jornal O HOJE, o sociólogo Jones Matos diz que “a rejeição de Jorge Messias ao STF não tem nenhuma relação com antipetismo, até porque eleitoralmente o Lula ainda é competitivo e não deve ser subestimado”.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Créditos: Marcelo Camargo/ABr
No que diz respeito à existência de um ambiente favorável de diálogo entre as forças políticas que compõem o Congresso, Matos afirma que apenas no próximo ano é que haverá um bom momento para discussões entre base e oposição. “Do ponto de vista congressual, não existe mais ambiente para o diálogo. Entendo que só na próxima legislatura será possível fazer uma nova pactuação para que se tenha governabilidade. A crise é muito grave e estamos diante de um cenário de muita radicalização.”
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Problemática quanto às sabatinas
O advogado eleitoralista Dyogo Crosara destaca em entrevista ao O HOJE suas preocupações quanto à forma com que as sabatinas ocorrem no Brasil. “Há uma espetacularização dos processos que ocorrem no STF e isso me preocupa. Porque são pessoas que, na verdade, vão julgar vidas e questões importantes do País e acaba por ter que ouvir ou falar nessas sabatinas sobre temas que daqui a pouco eles estarão encarregados de julgar.”
O advogado-geral da União, Jorge Messias, durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado – Carlos Moura/Agência Senado
Para Crosara, há um problema na forma com que os parlamentares na Casa Alta conduzem o andamento das entrevistas. “Cada senador quer colocar questões da sua própria natureza, da sua própria origem. Isso não faz bem para o debate, assim como a discussão de questões ideológicas que fogem do debate. Então, o processo como um todo tem me preocupado”, ressalta o advogado. (Especial para O HOJE)









