Bruno Goulart
A menos de cinco meses das eleições, a disputa pelo Governo de Goiás ainda caminha em ritmo lento. Os três principais pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas — o governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) — têm evitado movimentos mais agressivos de campanha.
Daniel, que assumiu o governo após saída de Ronaldo Caiado (PSD), segue focado em inaugurações, entregas e viagens pelo interior, dando continuidade às ações da gestão passada. Já Marconi percorre municípios em um ritmo mais moderado, retomando obras e programas realizados em seus mandatos passados. Wilder, por sua vez, mantém uma presença ainda mais tímida – seguindo com a agenda de senador.
Motivos
O comportamento dos três grupos tem levantado questionamentos nos bastidores. Afinal, a pré-campanha está realmente parada? O ritmo mais lento ocorre por respeito à legislação eleitoral, que só permite campanha oficial após as convenções? É uma estratégia para evitar gastos antecipados? Ou os pré-candidatos estão esperando erros dos adversários antes de avançar?
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Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, a disputa não está parada, mas adaptada ao momento político e social. Segundo ele, há fatores externos que diminuem o interesse da população pela corrida eleitoral neste momento. “Não acho que a pré-campanha esteja parada. Acho que o pessoal está fazendo pré-campanha observando que haverá Copa do Mundo. Não adianta querer competir com a convocação da Seleção Brasileira ou com eventos que naturalmente desviam a atenção da população”, afirma.
Zancopé também cita o início das festas juninas, a proximidade das férias de julho e o cenário político nacional como elementos que acabam reduzindo o espaço do debate estadual. Para ele, o escândalo envolvendo o Banco Master e seus reflexos em Brasília colocaram o foco da opinião pública em nomes nacionais. “Todo mundo está fazendo gestão de tempo e de recursos. Não faz sentido colocar toda a mobilização em campo agora. Lá na frente, essa energia pode faltar”, analisa.
O especialista avalia ainda que o cenário eleitoral segue relativamente estável, sem grandes mudanças capazes de provocar uma corrida mais acirrada neste momento. Ele cita, por exemplo, que a entrada de Ana Paula Rezende (PL) na chapa de Wilder não alterou significativamente a correlação de forças, enquanto Daniel mantém uma base sólida herdada da estrutura política construída por Caiado.
Contenção de gastos
Já o especialista em marketing político e mestre em Comunicação pela UFG, Felipe Fulquim, acredita que os grupos políticos estão respeitando o tempo correto da campanha, principalmente por questões financeiras. “Acho que eles estão respeitando o tempo certo da campanha oficial, muito por conta dos gastos. Então, fazem uma pré-campanha mais tímida enquanto todos se estudam e analisam as pesquisas”, afirma.
Segundo Fulquim, Daniel tem uma posição diferente por estar no comando da máquina pública e manter uma agenda administrativa constante, o que naturalmente lhe dá maior visibilidade. Marconi e Wilder, por outro lado, estão mais discretos. “O histórico do Wilder mostra que ele trabalha de maneira mais moderada, sem se expor demais. Já Marconi precisa tentar agregar grupos políticos insatisfeitos, mas muitos ainda não podem demonstrar isso publicamente”, explica.
Na avaliação do especialista, o momento atual é de construção silenciosa. As conversas de bastidores, alianças e acomodações políticas ainda pesam mais do que atos públicos e grandes mobilizações.


