O senador Ciro Nogueira (PP) evitou sair em defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao comentar as investigações envolvendo o Banco Master. Em entrevista à TV Clube, afiliada da Globo no Piauí, Ciro afirmou que não fará julgamento antecipado sobre o caso e declarou que, caso haja culpa comprovada, o parlamentar deve “pagar exemplarmente”.
Segundo Ciro, as investigações precisam ocorrer com isenção, sem favorecimentos políticos. O senador afirmou que não pretende atuar nem como defensor nem como acusador de Flávio Bolsonaro. “Se for inocente, que seja reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente”, declarou. Além disso, ele afirmou que “não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção” no país.
Situação própria
Ao mesmo tempo, Ciro Nogueira também comentou a situação envolvendo seu próprio nome. Pré-candidato ao Senado, ele disse que deixará a vida pública caso sejam comprovadas irregularidades que comprometam sua honra. A declaração ocorre após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão contra o senador durante uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e aponta que Ciro teria recebido R$ 18 milhões em propina para defender interesses da instituição financeira.
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Além de Ciro, a operação também atingiu seu irmão, Raimundo Nogueira, que passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. Após a ação da PF, o senador afirmou que está colaborando com as investigações, embora tenha criticado a realização de operações policiais em ano eleitoral. O caso ampliou a pressão sobre aliados políticos ligados ao Banco Master e aumentou a tensão nos bastidores da disputa presidencial de 2026.
Escândalo de Flávio
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tenta conter os impactos políticos das revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”. O ex-banqueiro teria desembolsado R$ 61 milhões para a produção. Flávio confirmou que negociou com Vorcaro, mas afirmou que não ofereceu vantagens em troca do investimento e disse que se tratava de “dinheiro privado”.
Nesta semana, o senador também confirmou que encontrou Vorcaro após a primeira prisão do empresário, em novembro de 2025, afirmando que queria “botar um ponto final nessa história”. Mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil ainda indicam que Vorcaro teria atuado para retirar do ar uma reportagem sobre o filme publicada pelo Portal Leo Dias.


