A abertura da 79ª Exposição Agropecuária de Goiânia deixou claro que a Pecuária deste ano vai muito além da tradição sertaneja e do entretenimento. O evento se transformou em um grande palco político do agronegócio goiano.
Os discursos funcionaram como uma demonstração pública de força do grupo governista e de alinhamento entre setor produtivo, entidades empresariais, forças de segurança, Judiciário e lideranças políticas de Goiás.
O ambiente da abertura foi marcado por uma narrativa muito bem construída: Goiás aparece como um estado de estabilidade, crescimento econômico, segurança pública forte e proximidade com o agronegócio. E dentro desse discurso, Daniel Vilela foi apresentado de forma praticamente explícita como continuidade natural do projeto liderado por Ronaldo Caiado.
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O presidente da SGPA, Gilberto Marques, fez um discurso fortemente político. Falou em continuidade administrativa, elogiou a segurança pública em Goiás, defendeu o setor produtivo e criticou diretamente o cenário econômico nacional, citando juros altos, carga tributária e insegurança jurídica.
Em vários momentos, o discurso construiu um contraste entre Goiás e Brasília: Goiás como estado eficiente e seguro; o agro como motor econômico; e o governo federal como responsável pela instabilidade econômica enfrentada pelo produtor rural.
Já Gracinha Caiado fez uma fala carregada de simbolismo político. Misturou defesa do agro, memória da UDR, trajetória pessoal no setor rural e defesa do Goiás Social.
Ao citar que mais de 600 mil pessoas saíram da pobreza em Goiás, Gracinha buscou reforçar uma narrativa importante para o grupo governista: a de que o governo não é apenas “do agro”, mas também de inclusão social, qualificação e oportunidade.
Daniel Vilela adotou um tom mais institucional, mas igualmente político. Apostou no sentimento de pertencimento, relembrou a tradição da Pecuária de Goiânia e destacou os números do evento, que deve movimentar mais de R$ 100 milhões, gerar cerca de 11 mil empregos e receber aproximadamente 600 mil visitantes.
Nos bastidores, a leitura era praticamente unânime: a abertura da Pecuária serviu como demonstração pública de unidade política e fortalecimento do projeto governista para 2026.
Ronaldo Caiado foi citado diversas vezes como liderança nacional do agro e nome preparado para voos maiores. Já Daniel apareceu como responsável por manter o modelo implantado em Goiás.
A Pecuária começou oficialmente, mas a abertura deixou claro que o clima é de pré-campanha.










