A dificuldade do PT em estabelecer um palanque estadual para o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é uma realidade que se restringe a Goiás. O partido ainda patina em estabelecer candidaturas aos governos que reivindiquem a reeleição de Lula e trabalhem na divulgação dos feitos e dos programas da gestão petista nos últimos quatro anos.
Os palanques competitivos também são vistos como uma oportunidade de aproveitar a capilaridade eleitoral do presidente. A legenda entende que candidaturas consolidadas com apoio de Lula podem ajudar na eleição de deputados federais. Uma maior representatividade na Câmara dos Deputados é um dos principais focos da sigla para as eleições deste ano. O partido trabalha para encontrar um Congresso menos resistente, em um eventual Lula 4.
Em Goiás, a situação segue como indefinida. A executiva estadual do partido irá se reunir no próximo sábado (16) para discutir sobre a escolha de quem será o nome da legenda na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Porém, não há previsão de que a reunião seja definitiva. A indefinição tem causado uma insatisfação dentro da legenda, sobretudo entre os pré-candidatos: o advogado Valério Luiz, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e o jornalista Cláudio Curado.
O grupo de trabalho petista estabeleceu que o partido terá 11 candidatos aos governos. Além de Goiás, o partido terá postulantes aos Executivos estaduais em São Paulo, Roraima, Rondônia, Piauí, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Distrito Federal, Ceará e Bahia. O favoritismo se restringe às disputas no Nordeste.
Em solo paulista
Em São Paulo, o recorte atual aponta que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve ir ao segundo turno contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-PB), favorito à reeleição. O partido entende que a votação em São Paulo em 2022 foi decisiva para a eleição de Lula e, por isso, decidiu lançar o ex-ministro de novo.
Entretanto, nos outros dois principais Estados em termos eleitorais, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a indefinição ainda paira. No Rio, o partido anunciou que irá apoiar o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto. Porém, há desconfiança do quanto Paes, que já fez acenos ao eleitorado bolsonarista, irá se engajar no projeto de reeleição do presidente.
A rodada da Genial/Quaest do fim de março mostrou que Paes liderava as intenções de voto entre lulistas e bolsonaristas. O ex-prefeito dá indícios de que não quer se indispor com nenhum dos eleitorados. Além disso, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, articula para que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tenha palanque no Rio, ao lado de Paes, o que pode dificultar ainda mais a proximidade eleitoral entre o ex-prefeito e o presidente.
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Minas Gerais
Em Minas, o imbróglio envolve o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB). Lula quer o senador na disputa pelo governo mineiro, porém, Pacheco já indicou ao presidente do PT, Edinho Silva, que não deve disputar o Executivo estadual. O pessebista é cotado para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).
Sem Pacheco, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), passa a ser o favorito a receber o apoio do PT. Porém, o próprio Kalil e o PDT mineiro estão receosos em colar a imagem da candidatura a Lula. Enquanto isso, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas ao governo estadual, já fechou com o PL de Flávio Bolsonaro, que inclusive pode indicar a vice na chapa do parlamentar.
Na Região Sul, o PT não terá nenhum candidato a governador pela primeira vez desde a redemocratização do País. No Rio Grande do Sul, o partido irá apoiar a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), que lidera as pesquisas ao Palácio Piratini. Em Santa Catarina, onde o PT nunca venceu uma eleição, o partido irá apoiar Gelson Merísio (PSB), que aparece atrás do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), e do governador Jorginho Mello (PL), favorito a ser reeleito ainda no primeiro turno, segundo os levantamentos eleitorais recentes.
Já no Paraná, o partido irá apoiar o deputado estadual Requião Filho (PDT), que divide o segundo lugar nas pesquisas com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB). O líder nas intenções de voto é o senador Sérgio Moro (PL). O PT aposta na força da deputada Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado, para construir um palanque para Lula.










