O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os pré-candidatos que polarizam a disputa pelo Palácio do Planalto, enfrentam desafios distintos, mas igualmente estratégicos, com seus partidos em Goiás. Enquanto o PT de Lula ainda patina para definir um candidato ao governo do Estado, a legenda do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisa lidar com o racha dentro do partido.
No caso petista, a sinalização do PT nacional para a direção estadual do partido é de que o principal objetivo de uma candidatura ao Palácio das Esmeraldas é montar um palanque para Lula em Goiás. Apesar disso, a legenda pouco avançou nas conversas sobre um nome para o governo estadual. Atualmente, o partido tem três principais cotados: o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, o advogado Valério Luiz e o jornalista Cláudio Curado.
Já o PL vive tensão dentro do partido em razão do destempero entre o senador e pré-candidato a governador Wilder Morais e o deputado federal e pré-candidato ao Senado Gustavo Gayer. O deputado lidera a ala da legenda que defendeu um alinhamento do partido com o governador Daniel Vilela (MDB), em detrimento de um projeto próprio do PL ao Esmeraldas.
Fato é que, tanto para Lula quanto para Flávio, é importante que as situações dos partidos se resolvam. Goiás tornou-se peça relevante no cálculo eleitoral em razão do resultado das urnas na eleição de 2022.
Em uma eleição presidencial que tende novamente à polarização, Flávio precisa manter e, se possível, ampliar a larga vantagem conservadora registrada no Estado nos últimos pleitos. A lógica eleitoral supõe que um desempenho robusto em Estados mais alinhados ao bolsonarismo, o que é o caso de Goiás, pode funcionar como compensação para perdas em regiões historicamente mais alinhadas ao PT, como Nordeste e parte do Norte do País.
O cálculo não é exagerado. Apesar do apelo conservador do eleitorado goiano, o presidente obteve votação expressiva no Estado em 2022. Na disputa contra Bolsonaro, o petista teve 39,51% dos votos no primeiro turno e 41,29% no segundo turno.
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Diferença pequena em votos
A votação ganha ainda mais relevância quando comparado ao desempenho do presidente em Estados onde venceu com ampla margem. No Piauí, por exemplo, Estado em que Lula obteve sua maior porcentagem no segundo turno, com 76,84%, o petista recebeu 1.551.342 votos. Em Goiás, Estado amplamente favorável ao bolsonarismo, Lula teve 1.542.115 votos, diferença pequena em números absolutos.
Vale ressaltar que a votação que o petista recebeu em solo goiano na última eleição não aconteceu devido ao palanque que teve com a candidatura do ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wolmir Amado, ao governo estadual, que angariou só 7% dos votos.
Um palanque forte do PT neste ano, com Lula presente, deve representar mais para as candidaturas proporcionais do que diretamente para o chefe do Executivo. O maior ganho seria para os candidatos do partido no Estado e para a sigla, que trabalha para ter um Congresso mais alinhado ao governo em uma futura gestão, caso Lula seja reeleito.
Importância da unidade do partido
Já para Flávio, é importante a unidade do partido, não só para manter a vantagem contra Lula, como também garantir a hegemonia no voto à direita em Goiás. No Estado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terá outro forte concorrente pelo voto conservador na corrida presidencial, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).









