Problemas podem surgir quando um pré-candidato busca fortalecer o vínculo com prefeitos frente a um cenário eleitoral. Apesar de analistas políticos avaliarem como algo fundamental a boa relação entre Estado e municípios, um obstáculo que políticos podem enfrentar em decorrência disso é a pressão de gestores municipais frente ao direcionamento de apoio a alguma pré-candidatura. O processo segue uma lógica: quem pede apoio pode estar suscetível a receber mais cobranças e pressões de quem compõe a base de sustentação de uma pré-campanha.
O governador de Goiás e pré-candidato à reeleição, Daniel Vilela (MDB), tem destacado em seus discursos a importância da cooperação entre Estado e municípios e a demonstração de apoio de prefeitos à reeleição do emedebista. É algo que chama atenção, já que Daniel lançou sua pré-candidatura ao Executivo estadual com apoio de cerca de 200 prefeitos, de acordo com fontes próximas ao chefe do Palácio das Esmeraldas. Cabe destacar que parte considerável dos gestores municipais compõem a base do governador.
Apoio eleitoral tem um preço
Nos bastidores, o que se sabe é que um número expressivo de prefeitos não tem poupado cobranças ao governador, frente aos problemas econômicos que determinados municípios têm enfrentado. Assim, o entendimento é que a inserção do municipalismo como uma pauta essencial no projeto de pré-campanha pode oferecer riscos aos pré-candidatos que optam por adotá-lo como método estratégico para aumentar a possibilidade de sucesso nas urnas.
Em contrapartida, sabe-se que é inevitável ignorar a importância da proximidade entre governador e prefeitos, como é o caso de Daniel em Goiás. Até porque cada município necessita de atenção vinda da esfera estadual e de outros campos de poder.
Durante desfile cívico-militar em comemoração aos 104 anos de Aparecida de Goiânia, realizado nesta segunda-feira (11), Daniel destacou a relevância do município, que é a segunda cidade mais populosa de Goiás e é considerada a terceira maior economia do Estado. Ao chamar a cidade de “modelo e referência”, o chefe do Executivo goiano ainda ressaltou o que chamou de bons frutos da parceria entre o Governo de Goiás e a prefeitura.
“A cidade viveu uma transformação na qualidade de vida e nos serviços oferecidos pela prefeitura e pelo governo estadual. Aumenta, a cada ano, a sua participação na força econômica de Goiás. Estou muito feliz por, neste momento, dar continuidade à gestão do governador Ronaldo Caiado e proporcionar ao prefeito Leandro Vilela a condição de resgatar tudo aquilo que foi realizado aqui pelo meu saudoso pai Maguito Vilela”, disse Daniel.
Decisão acertada
O mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé avalia como positivo o esforço de Daniel em se manter próximo aos municípios. “Eu não vejo como arriscado um pré-candidato se assumir municipalista e pedir para prefeitos um voto de confiança, sendo que as entregas, de alguma maneira, já foram feitas. Agora, o que Daniel tenta fazer é com que os prefeitos sigam acreditando que os serviços continuarão sendo entregues”, pontua.
Para Zancopé, “o discurso municipalista de Daniel é um discurso de manutenção, de continuidade e defesa de legado. Eu vejo como algo acertado. E o que corrobora isso é a liderança de Daniel no primeiro turno nas eleições para o Executivo estadual de outubro”.
O estrategista político Marcos Marinho ressalta que o intuito do chefe do Executivo goiano é manter com os prefeitos a mesma relação que o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tinha com os gestores municipais.
“Daniel, por meio do discurso de proximidade com os municípios, tenta manter com os prefeitos a relação que os gestores tinham com Caiado, pois isso dá ao atual governador maior segurança e capilaridade no período eleitoral. Quando Daniel chama os prefeitos para se envolverem mais com o Estado, é porque ele sabe que quem avalia o governo é a população que vive nos municípios”, salienta Marinho em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)










