A avaliação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o novo líder supremo do Irã foi um dos temas de uma entrevista divulgada neste domingo (7), em meio às negociações que seguem sem acordo definitivo entre Washington e Teerã. Ao comentar Mojtaba Khamenei, que assumiu a liderança iraniana após a morte do aiatolá Ali Khamenei, Trump afirmou acreditar que o sucessor tem um perfil diferente do pai.
“Mais jovem, eu acho, mais racional. Ferido – ele está gravemente ferido. Portanto, há uma certa coragem nisso”, declarou o presidente durante entrevista ao programa “Meet the Press”, da NBC, gravada na sexta-feira (5).
Mojtaba não é visto em público desde que sofreu ferimentos no ataque israelense que matou seu pai no primeiro dia da guerra. Questionado sobre a localização do líder iraniano, Trump evitou confirmar se possui informações a respeito, mas afirmou que existe uma “boa probabilidade” de saber onde ele está.
Líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei (Foto: Divulgação/ Khamenei.ir)
Trump também descartou a retirada dos cerca de 50 mil soldados norte-americanos envolvidos na guerra. Segundo ele, a presença militar dos EUA será mantida até que haja uma conclusão para o conflito. “Não considero (as tropas) em perigo”, afirmou. “Temos a melhor defesa que alguém já viu. Temos o melhor ataque que alguém já viu. Portanto, não considero isso perigoso”, acrescentou.
Enquanto os combates prosseguem, o futuro do Estreito de Ormuz permanece indefinido. Um integrante da equipe de negociação iraniana afirmou que Teerã avalia estabelecer um prazo de 30 dias para a reabertura da rota marítima.
Segundo Majid Shakeri, que participou das últimas negociações em Islamabad, a proposta prevê que a reabertura só ocorra “depois de todas as ameaças dos Estados Unidos e dos seus aliados terem sido removidas”.
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Além da discussão sobre a reabertura da passagem, autoridades iranianas analisam medidas relacionadas à utilização da rota. A chefe do Departamento do Ambiente do Irã, Shina Ansari, afirmou que está em estudo a cobrança de taxas associadas à prestação de serviços marítimos e ambientais. Entre eles estariam “orientação de navegação, operações de busca e salvamento, garantia da segurança dos navios e proteção do ambiente marinho”.
Trump aponto bom relacionamento com Netanyahu
Ainda, Trump também comentou sua relação com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O presidente afirmou que os dois líderes permanecem alinhados, embora existam divergências sobre algumas ações adotadas por Israel.
“Nós nos damos muito bem, temos sido grandes camaradas. Fizemos um trabalho muito, muito grande em um determinado país que não foi nada além de problemas durante 47 anos. Discordo dele em algumas coisas”, declarou.
Ao ser pressionado sobre os bombardeios israelenses contra o Líbano, Trump afirmou que preferiria um “ataque mais cirúrgico ao Hezbollah”. O presidente acrescentou que os Estados Unidos poderiam ajudar nesse objetivo ou recomendar a participação da Síria, fazendo elogios ao novo governo sírio.
As declarações foram divulgadas no mesmo dia em que Israel realizou um novo ataque contra Beirute. As Forças de Defesa de Israel informaram que atingiram estruturas ligadas ao Hezbollah no bairro de Dahiyeh.
Segundo os militares israelenses, dois foguetes lançados do Líbano foram interceptados no norte de Israel. Em resposta, o governo israelense autorizou a ofensiva contra a capital libanesa. Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que a operação foi uma reação ao fogo do Hezbollah em território israelense.


