A greve da rede municipal de Educação de Goiânia abriu uma nova frente de discussão nesta quarta-feira (13) na Câmara Municipal de Goiânia sobre os salários dos servidores administrativos da Educação. Durante sessão no plenário, a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Ludmylla Morais, defendeu a valorização dos servidores administrativos da Educação e cobrou da prefeitura de Goiânia avanços no plano de carreira da categoria e reajuste para a categoria.
O debate provocou reação do vereador Bessa, líder do prefeito Sandro Mabel na Câmara, que reconheceu a defasagem da tabela salarial, mas defendeu que a remuneração final dos trabalhadores supera o mínimo por conta de complementações e benefícios.
“A tabela salarial dos servidores, existem, sim, servidores que têm um valor menor que o salário mínimo, mas esses trabalhadores recebem complemento, e nominalmente recebem o salário mínimo. O que está errado. Esse valor tem que ser um valor maior, sim”, afirmou durante a sessão.
O debate ocorre em meio à greve dos trabalhadores da Educação municipal, iniciada oficialmente no dia 12 de maio. A paralisação reúne professores e servidores administrativos, que cobram reajustes salariais, reformulação do plano de carreira, pagamento de progressões e melhores condições de trabalho.
Durante a mobilização realizada na última semana, servidores administrativos relataram perdas salariais acumuladas e descumprimento de acordos firmados em greves anteriores. A servidora Vanessa afirmou que a categoria enfrenta dificuldades desde 2022.
“Os administrativos da Educação, desde 2022, estão lutando por um plano de carreira. Nem o salário que a gente tem aprovado em lei está sendo pago corretamente. Então a gente fez greve em 2022, em 2023, em 2024. Os acordos não são cumpridos. E hoje o nosso salário é menor do que o salário mínimo e recebe complementação”, declarou.
Durante a sessão na Câmara, o vereador Bessa afirmou que há servidores cuja tabela salarial está abaixo do salário mínimo, mas disse que a remuneração é complementada pela administração municipal.
“A tabela salarial dos servidores, existem, sim, servidores que têm um valor menor que o salário mínimo, mas esses trabalhadores recebem complemento, e nominalmente recebem o salário mínimo. O que está errado. Esse valor tem que ser um valor maior, sim”, afirmou durante a sessão.
O parlamentar atribuiu a situação a uma defasagem histórica do plano de cargos da categoria e prometeu que a atual gestão irá reformular a carreira dos administrativos da Educação.
A discussão ganhou força após relatos de trabalhadores sobre dificuldades financeiras, sobrecarga nas escolas e descumprimento de acordos firmados em greves anteriores. Durante a mobilização da categoria realizada na última semana, a servidora Jaqueline afirmou que os administrativos se sentem invisibilizados dentro da rede municipal.
“Nós administrativos recebemos menos que um salário. Nós estamos no chão da escola, fazendo a escola acontecer e os compromissos não foram cumpridos diante das outras greves anteriores. Porque nós não aguentamos mais sobreviver sem uma data base, sem o nosso salário reajustado, sem nós termos reconhecido como verdadeiros educadores dentro da escola também”, afirmou.
Já a servidora Zélia, que atua há 30 anos na rede municipal, relatou déficit de profissionais, problemas estruturais e sobrecarga nas unidades escolares. “Falta tudo para nós enquanto administrativos. Um pouquinho de conquista que a gente tem é só através dos movimentos mesmo que a gente faz. Porque, do contrário, a gente não tem um plano de carreira. Nossa data base está defasada, não paga no tempo certo”, declarou.
Ela também afirmou que faltam profissionais em diferentes setores da rede municipal. “Faltam professores, faltam pessoal na limpeza, na cozinha. Geral, está um caos a educação”, disse.
Paço admite defasagem histórica e diz que reajuste depende de impacto financeiro
O debate ocorre em meio à greve dos trabalhadores da Educação municipal, iniciada oficialmente no dia 12 de maio. Foto: Clara Cardoso/O HOJE
Em entrevista à reportagem, a secretária municipal de Educação, Giselle Faria, afirmou que os servidores administrativos possuem plano de carreira, mas reconheceu que a tabela salarial está defasada desde 2011.
“O administrativo tem um plano de carreira. Que, desde 2011, quando foi criado esse plano de carreira, ele segue defasado. Então, nós estamos aqui enfrentando um problema de 2011”, afirmou.
Segundo a secretária, quando o vencimento-base fica abaixo do salário mínimo, a prefeitura realiza complementação automática. Antes da entrevista, a Secretaria Municipal de Educação (SME) informou à reportagem que, quando a tabela salarial fica defasada, “a Prefeitura complementa, não reajusta”.
“Às vezes, as pessoas falam assim: porque ganha menos que um salário mínimo. Não, não ganha menos que um salário mínimo. Porque, toda vez, quando dá esse valor, a prefeitura complementa”, declarou.
Giselle explicou ainda que os administrativos possuem progressões dentro da carreira. Segundo ela, os trabalhadores mudam de letra a cada dois anos, com aumento de 2%, e podem mudar de nível a cada quatro anos conforme formação acadêmica e capacitações.
“O administrativo tem um plano de carreira. Esse plano de carreira tem quatro níveis. A cada dois anos ele muda de letra. Quando o servidor administrativo muda de letra, ele tem um aumento de 2%. E a cada quatro anos ele pode mudar de nível por conta da formação dele”, afirmou.
A secretária também destacou que a prefeitura realiza estudos para atualização da carreira, mas afirmou que qualquer reajuste precisa considerar os impactos financeiros nos próximos anos e os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
“Existe sim. Só que a gente precisa analisar o impacto financeiro, é esse o problema da nossa análise. Porque você não está fazendo análise de impacto financeiro para um ano, tem que fazer para os anos para frente. E de acordo com a arrecadação do município, de acordo com o reajuste, a gente esbarra na Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse.
A greve da Educação municipal começou oficialmente nesta terça-feira (12), mesmo após decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), que determinou funcionamento mínimo de 70% das escolas e proibiu bloqueios nas unidades. O sindicato manteve a paralisação e afirma que o movimento segue dentro da legalidade.
A Prefeitura de Goiânia afirma que mantém diálogo aberto com os trabalhadores e encaminhou à Câmara um projeto prevendo reajuste de 5,4% nos salários e benefícios da Educação, com efeitos retroativos a maio de 2026.
A reportagem entrou em contato novamente com o vereador Bessa e com a presidenta do Sintego, Ludmylla Morais, para comentar os questionamentos enviados após a sessão na Câmara, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.









