Hoje atuando como “desinfluenciador” de apostas nas redes sociais, o goiano Wederson Marcos dos Santos, de 35 anos, afirma que chegou ao limite emocional por causa do vício em bets. Morador de Aparecida de Goiânia, ele acumulou cerca de R$ 400 mil em prejuízos, contraiu dívidas com bancos, familiares e agiotas, e chegou a pensar em tirar a própria vida.
Formado em Sistemas de Informação e coordenador de TI, Wederson manteve o problema escondido da família durante anos. Em entervista para o portal Mais Goiás, a compulsão tomou conta da rotina. “Só não apostei na hora do parto do meu filho”, revelou.
Goiano perdeu R$ 400 mil
O primeiro contato com as apostas aconteceu em 2021, durante a pandemia, quando ele acreditou que poderia ganhar uma renda extra. Em poucos meses, perdeu cerca de R$ 40 mil, todas as economias que tinha guardado.
Mesmo diante do prejuízo, continuou apostando. Com o passar do tempo, passou a recorrer a empréstimos bancários, ajuda de parentes e até dinheiro de agiotas para sustentar o vício. “Cheguei a apostar R$ 40 mil em uma única rodada. Valores menores já não davam emoção”, contou.
Mentiras, isolamento e impacto familiar
Wederson afirma que passou a apostar de madrugada, durante o expediente e até escondido no banheiro. Para sustentar o vício, criou uma rotina de mentiras dentro de casa.
Goiano perdeu R$ 400 mil em apostas e pensou em tirar a própria vida. Foto: Reprodução
“Dizia que estava fazendo hora extra, mas estava apostando”, relatou.
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Nem mesmo o nascimento do filho interrompeu a compulsão. “Não joguei na hora do parto, mas joguei na maternidade”, disse.
A situação começou a mudar quando decidiu revelar tudo à esposa. O momento aconteceu enquanto observava ela amamentando o bebê, cena que definiu como um “choque de realidade”.
Além das dívidas, ele perdeu credibilidade dentro da família, afastou-se de amigos e da convivência religiosa e chegou a usar dinheiro destinado às despesas básicas para continuar apostando.
Fundo do poço e tentativa de recomeço
O momento mais crítico ocorreu quando Wederson saiu de casa tomado pela vergonha e pelo desespero. Segundo ele, naquele período cogitou tirar a própria vida.
“Foi o fundo do poço”, afirmou.
Ele passou cerca de três semanas longe da família, buscou ajuda médica e iniciou tratamento psiquiátrico. Reconhecer o vício como uma doença, segundo ele, foi essencial para começar a recuperação.
“Assumir a culpa me ajudou a abandonar o jogo”, declarou.
De apostador a “desinfluenciador”
Há quase um ano sem apostar, Wederson decidiu transformar a própria experiência em alerta para outras pessoas. Ele criou um perfil no TikTok, onde reúne cerca de 30 mil seguidores compartilhando relatos sobre os perigos das bets e do vício em jogos.
Nos comentários, recebe mensagens de pessoas que vivem situações semelhantes, com perdas financeiras e impactos emocionais.
“Muita gente começou por influência das redes sociais. Tem gente lucrando em cima da derrota dos outros”, criticou.
Apesar de ainda ter aproximadamente R$ 100 mil em dívidas, o goiano afirma que vem reconstruindo a vida. Ele conseguiu comprar a própria moto, reduziu a carga de trabalho e passou a priorizar o tempo ao lado da família.
“Hoje passo mais tempo com minha família. Estou vencendo. A vida é mais que dinheiro”, concluiu.










