A reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Casa Branca terminou nesta quinta-feira (7) com a promessa de continuidade das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e uma tentativa dos dois governos de demonstrar aproximação política após meses de incertezas sobre a relação bilateral. O encontro durou cerca de três horas e reuniu ministros e integrantes das equipes econômicas e diplomáticas dos dois países.
Embora fosse esperada uma entrevista conjunta ao final da reunião, a conversa com a imprensa não ocorreu. Ainda assim, tanto Lula quanto Trump se manifestaram publicamente depois do encontro e ressaltaram o clima positivo das discussões. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que tratou de tarifas e comércio com o presidente brasileiro.
“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil”, escreveu o republicano. Trump também afirmou que “a reunião foi muito boa” e disse que representantes dos dois países deverão voltar a se reunir nos próximos meses para tratar de “pontos chaves”.
Foto: Ricardo Stuckert/ PR
Lula deixou a Casa Branca sem participar de uma coletiva ao lado do presidente norte-americano, mas conversou com jornalistas após o encontro. O presidente afirmou que a reunião marcou um avanço na relação entre os dois países e destacou a criação de um grupo de trabalho para discutir as tarifas impostas no ano passado. Segundo o petista, Trump voltou a reclamar da cobrança de tarifas brasileiras, e então veio a proposta.
“Então eu falei assim: Doutor Trump, vamos fazer o seguinte. Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço, da indústria e do comércio do Brasil, junto com teu moço do comércio, sentem e em 30 dias apresentem uma proposta pra gente poder bater o martelo. Quem tiver errado, vai ceder”, declarou.
O presidente brasileiro também afirmou que pediu a Trump maior participação dos Estados Unidos em investimentos no Brasil. Lula disse que empresas norte-americanas deixaram de disputar obras de infraestrutura no país nos últimos anos, enquanto a China ampliou sua presença econômica. “Muitas vezes nós fazemos licitações internacionais para fazer uma rodovia, uma ferrovia, e os Estados Unidos não participam da licitação, quem participa são os chineses”, afirmou.
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Ao citar minerais críticos, o petista afirmou que comentou sobre a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados. “Disse ao presidente Trump que não só fizemos uma coisa extraordinária aprovando na Câmara ontem a lei sobre a questão dos minerais críticos, como a aprovação de um Conselho sob a coordenação da Presidência da República, tratando a questão dos minerais críticos como uma questão de soberania nacional”, disse Lula. “Agora temos obrigação de termos conhecimento de 100% do território a compartilhar com quem queira fazer investimento no Brasil”, acrescentou.
Ainda, contrariando as expectativas, os líderes não discutiram sobre a possibilidade dos EUA classificarem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. “Não foi discutido isso. Esse negócio de dizer que as facções tomaram os territórios das cidades, temos que dizer ao povo brasileiro que o território de um bairro, das cidades, não é de facção criminosas”. declarou o petista.
Ao avaliar o encontro, Lula afirmou que a relação pessoal com Trump surpreendeu positivamente. “Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu”, declarou.









