O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou nesta quarta-feira (6) para os Estados Unidos para se reunir com o presidente Donald Trump na quinta-feira (7), em Washington. O encontro ocorre em meio aos boatos de que o governo norte-americano analisa classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A reunião, que deve ser a única agenda de Lula no país, tem retorno previsto para sexta-feira (8) e foi adiada anteriormente por causa da guerra no Oriente Médio. A possibilidade de classificação foi revelada em março pelo jornal The New York Times, que informou que o Departamento de Estado analisava a medida. Segundo a publicação, a discussão já vinha sendo ventilada desde 2025, quando o governo Trump intensificou ações contra cartéis de drogas na América Latina.
Na terça-feira (5), a Casa Branca anunciou uma nova estratégia nacional de combate ao terrorismo, assinada por Trump. O diretor sênior de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional, Sebastian Gorka, afirmou na quarta-feira (6) que o plano inclui a atuação direta contra cartéis e organizações criminosas.
“Nossa nova estratégia de contraterrorismo prioriza, em primeiro lugar, a neutralização de ameaças terroristas hemisféricas por meio da incapacitação das operações dos cartéis até que esses grupos sejam incapazes de levar suas drogas, seus membros e suas vítimas de tráfico para os Estados Unidos”, disse Gorka a repórteres. Segundo ele, o documento foi assinado por Trump na terça-feira (5), “guiado pelo princípio de que a América é nossa pátria e deve ser protegida”.
Leia mais: Eduardo Bolsonaro diz que Lula vai aos EUA “para proteger” PCC e CV
Leia mais: Filhos de Bolsonaro pressionam EUA por PCC e CV, diz NYT
Leia mais: Plano dos EUA para PCC e CV lembra operação na Venezuela
Lula e Trump devem tratar cooperação no combate ao crime organizado
Do lado brasileiro, há resistência à possível classificação. Em maio de 2025, o chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos, David Gamble, chegou a solicitar que o Brasil adotasse essa classificação para o PCC e o CV, o que foi rejeitado.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou na terça-feira (5), em entrevista à Globonews, que o governo brasileiro pretende propor um acordo de cooperação no combate ao crime organizado transnacional durante o encontro. “Em relação ao crime organizado, esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump, e vai levar novamente, que é um acordo para o combate a organizações criminosas transnacionais, ao crime organizado transnacional”, disse.
A pauta já havia sido discutida anteriormente entre os dois presidentes. Em dezembro do ano passado, Lula tratou do tema em uma ligação com Trump. Em 26 de janeiro deste ano, os dois voltaram a conversar por telefone por cerca de 50 minutos, em um movimento que impulsionou a marcação da reunião em Washington.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O avanço da política norte-americana contra o narcotráfico também inclui articulações internacionais. Em encontro realizado em Miami, em 7 de março, em cúpula do chamado “Escudo das Américas”, Trump anunciou a formação de uma coalizão com 17 países para enfrentar cartéis e organizações classificadas como terroristas. Os governos do Brasil, Colômbia e México não fazem parte da aliança.
A reunião desta quinta-feira (7) ocorre ainda, após um recente impasse diplomático envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Na ocasião, o governo norte-americano retirou as credenciais do delegado brasileiro que atuou no caso, medida respondida pelo Brasil com base no princípio da “reciprocidade”. Lula também fez críticas à ofensiva conduzida por Trump no Oriente Médio, chegando a classificar a guerra como “maluquice”.










