A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) afirmou que a operação para capitalização do Banco de Brasília (BRB) deu mais um passo decisivo nesta semana. Após reunião realizada na terça-feira (14) com representantes do Banco Central, a chefe do Executivo disse que o encontro serviu para alinhar os últimos detalhes antes da assinatura do contrato que viabilizará um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em entrevista ao O Hoje, Celina destacou que o processo entra agora em sua fase final e reafirmou que a prioridade do Governo do Distrito Federal é preservar o banco público sob o controle dos brasilienses.
“A reunião de ontem no Banco Central serviu para alinharmos os pontos para a assinatura do acordo para a concessão do empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para o BRB. Em seguida irei me reunir com os bancos do consórcio para ultimar os detalhes de toda a operação que vai garantir que o BRB continue nas mãos dos brasilienses.”
Segundo a governadora, o próximo passo será concluir as negociações com as instituições financeiras que integram o consórcio responsável pela estruturação da operação. A expectativa do GDF é finalizar a documentação nas próximas semanas, permitindo a liberação dos recursos ainda neste mês.
Entenda a operação
A negociação para o aporte financeiro começou após o agravamento da situação patrimonial do BRB, consequência da crise envolvendo o Banco Master. A exposição do banco brasiliense à instituição privada levou o Banco Central, o Governo do Distrito Federal, a União e o Supremo Tribunal Federal (STF) a construírem uma solução conjunta para preservar a estabilidade financeira do BRB sem comprometer seu papel estratégico para a economia do Distrito Federal.
O modelo definido prevê um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada mantida pelo sistema financeiro nacional e responsável por atuar em situações que envolvem a estabilidade das instituições bancárias. O objetivo é recompor o patrimônio do BRB, fortalecer seus indicadores de capital e garantir que o banco continue atendendo às exigências prudenciais estabelecidas pelo Banco Central.
Nos últimos dias, o BRB e o Governo do Distrito Federal cumpriram as condições previstas no acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal, incluindo ajustes jurídicos e financeiros considerados indispensáveis para que a operação pudesse avançar para a etapa de assinatura dos contratos.
Defesa do controle público
Desde o início da crise, Celina Leão tem adotado como principal discurso a preservação do BRB como banco público do Distrito Federal. Em diversas agendas e entrevistas, a governadora afirmou que o objetivo das negociações nunca foi privatizar ou reduzir a participação do GDF na instituição, mas criar uma solução técnica capaz de garantir a continuidade das operações e preservar um dos principais ativos financeiros da capital.
O BRB é hoje um dos principais instrumentos de financiamento do desenvolvimento econômico do Distrito Federal. Além da atuação tradicional no mercado bancário, a instituição é responsável pelo pagamento da folha salarial dos servidores públicos, financiamento habitacional, crédito para empresas, apoio ao agronegócio e programas de incentivo ao empreendedorismo.
Para o governo, manter o banco financeiramente sólido significa preservar sua capacidade de investimento e sua função estratégica para a economia local.
Crise do Banco Master
A necessidade de capitalização surgiu após as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Master, instituição com a qual o BRB mantinha operações relevantes. O caso levou à abertura de investigações pela Polícia Federal, provocou mudanças na diretoria do banco e passou a ser acompanhado de perto pelos órgãos reguladores.
Diante do cenário, o Banco Central passou a exigir medidas capazes de fortalecer a estrutura de capital do BRB e garantir sua estabilidade. A solução construída ao longo dos últimos meses envolveu negociações entre o GDF, a União, o STF, o Banco Central, o Fundo Garantidor de Créditos e instituições financeiras privadas, culminando no acordo que agora entra na etapa final de implementação.
A expectativa do Governo do Distrito Federal é que, com a conclusão da operação, o BRB recupere plenamente seus indicadores patrimoniais, mantenha sua capacidade de concessão de crédito e siga exercendo seu papel como banco público do Distrito Federal, sem alteração no controle acionário da instituição.
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