A União Europeia aprovou nesta quinta-feira (23) um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia e um novo pacote de sanções contra a Rússia, após a retirada do veto da Hungria, que por meses, ainda sob o comando Viktor Orbán, bloqueou o avanço das medidas. A decisão também foi viabilizada depois que a Eslováquia abandonou suas objeções, permitindo a formalização do acordo.
O impasse foi destravado com a retomada do fluxo de petróleo russo para a Europa pelo oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e havia sido danificado em janeiro durante ataques russos. Com o restabelecimento do bombeamento nesta semana, Hungria e Eslováquia aceitaram liberar tanto o financiamento quanto as novas restrições econômicas contra Moscou.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o acordo marca uma mudança no cenário. “O impasse foi rompido. A economia de guerra da Rússia está sob crescente pressão, enquanto a Ucrânia tem apoio fundamental”, escreveu. Kallas ainda acrescentou: “Forneceremos à Ucrânia o que ela precisa para se manter firme, até Putin compreender que a sua guerra não leva a lugar nenhum”.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, comemorou a aprovação e indicou que os primeiros recursos devem ser liberados em breve. “Estamos a trabalhar para garantir que a primeira parcela deste pacote de apoio esteja disponível já em maio-junho”, afirmou.
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Segundo o líder ucraniano “os fundos do pacote europeu serão direcionados […] para a produção de armas, a aquisição de armas necessárias a parceiros que ainda não produzimos na Ucrânia e a preparação do nosso setor energético e de infraestruturas críticas para o próximo inverno”.
O empréstimo, garantido pelo orçamento comum da União Europeia, será utilizado entre 2026 e 2027 para sustentar o esforço de guerra ucraniano e manter o funcionamento do Estado. Do total, cerca de 60 bilhões de euros serão destinados diretamente à guerra, incluindo produção e aquisição de armamentos, enquanto aproximadamente 30 bilhões serão usados para assegurar serviços essenciais do Estado.
União Europeia aprova 20º pacote de sanções contra a Rússia
Além do apoio financeiro, o bloco aprovou o 20º pacote de sanções contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. As medidas atingem principalmente o setor bancário e a indústria de energia, com novas restrições às exportações de petróleo, uma das principais fontes de receita de Moscou. Segundo comunicado conjunto dos líderes europeus, é necessário “aplicar mais pressão sobre a Rússia para cessar sua agressão e se engajar em negociações significativas em direção à paz”.
Foto: Divulgação/ Site presidencial da Ucrânia
Líderes europeus comemoram decisão
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, destacou que a estratégia do bloco combina apoio a Kiev e pressão econômica sobre o governo russo. “A estratégia da União Europeia para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia se baseia em dois pilares: fortalecer a Ucrânia; aumentar a pressão sobre a Rússia. Hoje avançamos em ambos”, afirmou. “A Europa permanece firme, unida e inabalável em seu apoio à Ucrânia”, acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também celebrou o acordo e ressaltou o impacto das medidas. “Enquanto a Rússia redobra a sua agressão, nós redobramos o nosso apoio à valente nação ucraniana”, declarou.
No cenário militar, ataques seguem sendo registrados. Na cidade ucraniana de Dnipro, uma ofensiva aérea russa deixou três mortos e ao menos dez feridos, incluindo crianças, após incêndios atingirem prédios residenciais. Já na região russa de Samara, um ataque com drones provocou a morte de uma pessoa e deixou feridos.










