O presidente estadual do Avante e vereador por Goiânia, Thialu Guiotti, afirmou para a reportagem do O HOJE, neste domingo (5), que a ida do presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo, para o Cidadania foi articulada por ele próprio. Thialu ainda ressaltou que o Avante, que esteve na base do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) durante todo o mandato, ainda não bateu o martelo sobre o apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB).
Policarpo se filiou ao Cidadania, que está federado ao PSDB do ex-governador Marconi Perillo, no apagar das luzes da janela de filiações no último sábado (4). O presidente da Câmara Municipal deixou o Avante, cuja filiação tinha sido articulada por Thialu e confirmada há 11 dias, em decorrência dos conflitos internos no partido e da falta de espaço dentro da base aliada.
Um aliado próximo do presidente da Câmara de Goiânia afirmou que a decisão foi tomada pensando na viabilidade eleitoral. “Tenho certeza que o Romário decidiu pensando onde ele terá mais chance de ser eleito.”
Guiotti afirmou que o movimento aconteceu com seu aval, após conflitos internos na legenda. “Com todas essas questões da montagem de chapa, todos os pré-candidatos, 90% deles, vieram a mim dizer que não ficariam no partido se o Romário ficasse, e eu nunca dei abertura para que essa possibilidade acontecesse”, disse.
Segundo o presidente do Avante, a não permanência de Romário na legenda contou com sua articulação. “A não permanência do Romário foi construída por mim”, destacou. Segundo Thialu, o grupo decidiu que “o melhor caminho” para Romário seria a federação PSDB-Cidadania, junto ao grupo de Marconi.
“Ali [na federação] os nomes vão disputar de igual para igual. Nós vemos que nessa federação existe a possibilidade real de fazer de três a quatro deputados estaduais. O presidente Romário Policarpo não pode correr risco de, lá na frente, a chapa se desfazer, ou haver desistências, e ele não conseguir ser eleito”, frisou Thialu.
Na última quarta-feira (1º), Policarpo elogiou tanto Daniel quanto o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), durante sessão do parlamento goianiense. O presidente da Câmara afirmou que Caiado foi o “melhor governador que esse Estado já teve” e que não tinha dúvidas de que Daniel, o qual Policarpo chamou de “amigo”, “fará um grande governo”. Agora, o presidente da Câmara fecha seu apoio ao grupo do ex-governador tucano.
Thialu ressaltou que esteve com Romário das 15 horas até às 22 horas do último sábado (4) para decidir “qual seria o melhor caminho para ele”. Apesar da saída de Policarpo do Avante, o vereador garantiu que irá apoiar sua candidatura à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego): “Reafirmo o meu compromisso de apoio à candidatura do presidente Romário, independente do partido que ele esteja filiado”.
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Insatisfação com a base
O presidente do Avante em Goiás ainda demonstrou insatisfação com a falta de participação dos comandantes da base governista nas negociações das nominatas da legenda. “O Governo do Estado, ao qual o Avante faz parte, de forma objetiva, não contribuiu em absolutamente nada na montagem de chapas de deputado estadual e federal. Essa decisão de apoio do Avante à candidatura de governo será tomada pelo presidente nacional do partido, juntamente com os pré-candidatos a deputado federal.”
Segundo Thialu, houve um compromisso de Daniel com o presidente nacional do Avante, o deputado federal Luis Tibé (MG), sobre uma “ajuda” do grupo que comanda o Palácio das Esmeraldas na montagem das chapas do partido. “Até as 23 horas do último sábado, no que o Daniel tinha contribuído com a chapa? Não houve nenhum tipo de contribuição”, frisou.
“Política é a arte do diálogo. É a arte da conversa. Eu não estou dizendo que o Avante não estará com o Daniel Vilela, mas essa decisão será tomada em conjunto, entre o presidente nacional do partido e os pré-candidatos a deputado federal pelo partido”, reafirmou Thialu.
Atingir a cláusula
Apesar da saída de Romário, Thialu diz acreditar que a chapa montada pelo partido irá alcançar a cláusula de barreira. “Conseguimos fazer uma nominata possível de eleger um deputado estadual pelo partido. A prioridade, dada a missão do presidente nacional aos Estados, é fazer um deputado federal. Na pior das hipóteses, alcançar a cláusula de barreira. Isso tenho convicção de que fizemos”, afirmou Thialu.
Segundo o vereador, a sigla tem 11 nomes filiados ao partido para disputar o cargo de deputado federal. “Se der tudo errado, o partido vai ultrapassar os 100 mil votos.”










