Bruno Goulart
A disputa pelo Governo de Goiás começa oficialmente no domingo (16), mas os possíveis cenários de segundo turno já movimentam as análises políticas. Hoje, o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) aparece na liderança das pesquisas, enquanto o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) disputam espaço para tentar enfrentar o chefe do Executivo na etapa final da eleição. Além da briga pela segunda vaga, outra questão ganha força: quem ficar de fora apoiará quem?
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 30 de julho ajuda a mostrar o tamanho dessa disputa. No cenário estimulado de primeiro turno, Daniel liderava com 37% das intenções de voto. Marconi aparecia em segundo lugar, com 21%, enquanto Wilder tinha 11%. Luis Cesar Bueno (PT) registrava 3% e Cíntia Dias (PSOL), 1%. Outros 20% estavam indecisos e 7% diziam que votariam em branco, nulo ou que não pretendiam votar. O estudo ouviu 1.104 eleitores presencialmente entre 24 e 28 de julho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os protocolos BR-08063/2026 e GO-01701/2026.
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Para o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, os números colocam Marconi, neste momento, em uma posição mais favorável na disputa pela segunda vaga. “Marconi, pelas pesquisas que a gente tem até agora, divulgadas e registradas no TSE, é o candidato com maior tendência a estar no segundo turno”, afirma.
Apesar disso, Fulquim lembra que a campanha ainda pode mudar o cenário. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet começa neste domingo (16), enquanto a votação no primeiro turno será no domingo 4 de outubro. “As entrevistas, os debates, os comícios, as reuniões, as carreatas e as caminhadas vão somar para que os candidatos melhorem sua pontuação dentro das pesquisas”, avalia Fulquim.
Aliança entre Wilder e Marconi
Se o quadro atual se mantiver, o especialista diz acreditar que Daniel e Marconi seriam os nomes mais prováveis no segundo turno. Nesse caso, a tendência, na avaliação de Fulquim, seria de Wilder apoiar o tucano, e não o governador. “Se a eleição fosse amanhã, estariam Daniel e Marconi no segundo turno, com apoio de Wilder a Marconi”, diz o mestre em Comunicação.
A avaliação leva em conta, entre outros fatores, o cenário nacional. Wilder está ligado ao campo bolsonarista, enquanto o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), aliado de Daniel, disputa a Presidência da República. Para Fulquim, essa configuração tende a dificultar uma aproximação entre o PL e o grupo governista de Goiás em um eventual segundo turno.
O caminho contrário também é considerado possível. Caso Wilder cresça durante a campanha, ultrapasse Marconi e avance para enfrentar Daniel, Fulquim aponta que o ex-governador tucano tenderia a apoiar o candidato do PL. Ou seja, PSDB e PL podem passar o primeiro turno em disputa pelo mesmo espaço da oposição e, depois, se juntar em torno de quem conseguir permanecer na corrida. “Essa minoria que está contra Daniel não vai se juntar a Daniel no segundo turno. Se houver uma chance de vitória, essa minoria vai se unir”, afirma Fulquim.
Vantagem de Daniel
Mesmo com essa possibilidade de união da oposição, Daniel mantém vantagem nas simulações de segundo turno da Quaest. Em uma disputa direta contra Marconi, o governador aparecia com 52% das intenções de voto, contra 28% do tucano. Nesse cenário, 12% estavam indecisos e 8% diziam que votariam em branco, nulo ou não escolheriam um dos candidatos.
Contra Wilder, conforme os dados apresentados no levantamento do final de julho, Daniel também aparecia à frente, com 54%, diante de 16% do senador. Nesse cenário, 18% ainda não sabiam em quem votar e 12% indicavam voto branco, nulo ou ausência. Os números mostram que, apesar da liderança do governador, ainda existe uma parcela importante do eleitorado que pode mudar o desenho da disputa ao longo da campanha.
Neutralidade do PT
Para Fulquim, o PT deve seguir um caminho diferente caso Luis Cesar Bueno não chegue ao segundo turno. A avaliação do especialista é de que a legenda tende a adotar uma posição de neutralidade, sem apoiar Daniel, Marconi ou Wilder. (Especial para O HOJE)
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