Com a aproximação das eleições, cresce a movimentação de pré-candidatos nas redes sociais em busca de visibilidade, aproximação com eleitores e fortalecimento de suas imagens públicas. Embora a legislação eleitoral permita uma série de ações durante o período de pré-campanha, especialistas alertam que alguns excessos podem ser enquadrados como propaganda eleitoral antecipada e resultar em multas aplicadas pela Justiça Eleitoral.
A legislação autoriza que pré-candidatos participem de entrevistas, concedam declarações à imprensa, divulguem posicionamentos políticos, apresentem propostas de governo e utilizem plataformas digitais para dialogar com a população. O principal limite, porém, continua sendo o pedido explícito de voto antes do início oficial da campanha.
Segundo o advogado especialista em direito eleitoral Newton Lins, essa é uma das questões que mais geram dúvidas entre políticos e equipes responsáveis pela comunicação digital.
“A legislação permite que o pré-candidato se apresente à sociedade, exponha ideias, projetos e opiniões sobre temas de interesse público. O que não é permitido é o pedido explícito de voto antes do início oficial da campanha. Esse é o principal limite que deve ser observado para evitar questionamentos pela Justiça Eleitoral”, explica.
Nos últimos pleitos, o crescimento do peso das redes sociais no debate político ampliou a atenção da Justiça Eleitoral sobre conteúdos divulgados em plataformas digitais. Além das palavras utilizadas, magistrados costumam avaliar o contexto das publicações, a estratégia adotada e o alcance das mensagens.
De acordo com Newton Lins, muitos pré-candidatos acreditam que basta evitar expressões como “vote em mim” para cumprir a legislação, mas a análise jurídica vai além da literalidade do texto.
“Muitos pré-candidatos acreditam que basta evitar a expressão ‘vote em mim’, mas a análise da Justiça Eleitoral considera o contexto da publicação. Dependendo da mensagem, da estratégia utilizada e do alcance pretendido, o conteúdo pode ser interpretado como propaganda eleitoral antecipada”, alerta.
Outro tema que costuma provocar dúvidas é o impulsionamento de conteúdo. Com a profissionalização das campanhas digitais e o aumento dos investimentos em anúncios nas plataformas, especialistas recomendam atenção redobrada às regras estabelecidas pela legislação eleitoral.
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“As redes sociais se tornaram ferramentas essenciais para a comunicação política, mas o impulsionamento de conteúdo exige atenção especial. Existem regras específicas para a promoção paga de publicações e o descumprimento dessas normas pode resultar em sanções e multas”, afirma o advogado.
Hashtags, slogans, manifestações de apoio e divulgação de agendas públicas também são permitidos durante a pré-campanha, desde que não configurem pedido explícito de voto ou antecipação irregular da campanha eleitoral.
Para o especialista, a melhor estratégia é combinar planejamento de comunicação com acompanhamento jurídico permanente, reduzindo riscos e garantindo que a atuação digital ocorra dentro dos limites da lei.
“O mais importante é que pré-candidatos e equipes de comunicação atuem com planejamento e orientação jurídica. Uma estratégia digital bem estruturada permite ampliar o diálogo com a população sem ultrapassar os limites estabelecidos pela legislação eleitoral”, conclui Newton Lins.

