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“Política brasileira se organiza a partir do petismo e do antipetismo”, afirma Darlan Campos

Administrador Por Administrador
5 de junho de 2026
Em Política
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“Política brasileira se organiza a partir do petismo e do antipetismo”, afirma Darlan Campos

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Bruno Goulart

As eleições de 2026 serão disputadas em um cenário diferente daquele visto em 2022, mas continuarão influenciadas pela polarização que marca a política brasileira nas últimas décadas. A avaliação é do consultor em marketing político Darlan Campos, que participou do programa Papo Xadrez, do jornal O HOJE, apresentado pelos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa. Segundo ele, toda eleição depende do contexto político do momento e não existe uma estratégia que possa ser simplesmente copiada de uma disputa para outra.

Para Darlan, a eleição de 2022 foi um caso único desde a redemocratização. Naquele ano, o país assistiu ao confronto entre um presidente da República no exercício do mandato, Jair Bolsonaro, e um ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. “Nunca tivemos isso desde a redemocratização. Eram as duas principais figuras políticas com capacidade de mobilização dos últimos 50 anos”, afirmou. Na avaliação dele, essa combinação ajudou a aumentar o nível de polarização observado no país.

Ao olhar para 2026, o consultor vê uma realidade diferente. Lula chega à disputa como presidente e com uma estrutura partidária consolidada. Segundo Darlan, uma das características do PT é possuir quadros políticos preparados para ocupar funções de governo e disputar eleições. “O PT, quando está no mandato, tem quadros. Tem pessoas que já disputaram, ganharam e perderam eleições. Isso faz diferença quando a situação aperta”, explicou.

Por outro lado, ele observa que Lula chega mais velho à nova disputa e terá desafios ligados à idade. Já no campo bolsonarista, Darlan avalia que os herdeiros políticos do ex-presidente não possuem o mesmo carisma nem a mesma capacidade de mobilização de Bolsonaro. “Não é o Bolsonaro pai. O Bolsonaro filho não tem o mesmo carisma, mas tem o sobrenome e a autoridade para falar em nome dele”, disse.

Antipetismo
“A direita tem revelado quadros mais jovens, formados dentro da lógica das redes sociais”, diz Darlan. Foto: O HOJE
Durante a entrevista, o especialista destacou que o marketing político continua sendo uma ferramenta importante, mas que o cenário político brasileiro ainda é organizado principalmente pela disputa entre petismo e antipetismo. Segundo ele, desde a redemocratização, diferentes lideranças ocuparam o espaço de oposição ao PT. Primeiro foi Fernando Collor, depois Fernando Henrique Cardoso com o PSDB e, mais recentemente, Jair Bolsonaro.

“Se você olha para a política brasileira, ela se organiza a partir do petismo e do antipetismo. Os adversários mudam ao longo do tempo, mas o petismo continua sendo o ponto central dessa organização”, afirmou.

Ao falar sobre comunicação eleitoral, Darlan chamou atenção para o papel das redes sociais. No entanto, ele ressaltou que o ambiente digital não deve ser tratado como a solução para todos os problemas de uma campanha. “O digital não é fim, é meio. A gente usa o digital para cumprir uma função e chegar ao eleitor”, explicou.

Segundo ele, o maior desafio das campanhas atuais não é ter o melhor desempenho nas redes sociais, mas garantir que a mesma mensagem seja compreendida em todos os meios de comunicação. “A campanha vai ter vários pontos de contato com o eleitor. O desafio é construir a mensagem correta e fazer com que ela chegue da mesma forma em todos esses espaços”, afirmou.

Terceira via
Darlan também comentou as movimentações de possíveis candidatos que tentam ocupar um espaço fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Ao analisar nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), ele ponderou que nem toda candidatura nasce com o objetivo principal de vencer a eleição.

No caso de Renan Santos, do partido Missão, o consultor acredita que a estratégia está voltada para a construção de imagem e para o fortalecimento da legenda. Segundo ele, o partido é novo e ainda precisa ser conhecido pelo eleitorado. “Se você perguntar para muitas pessoas qual é o número do partido Missão, elas não sabem. A candidatura ajuda a apresentar o partido ao país”, avaliou.

Para Darlan, Renan tem adotado uma estratégia voltada principalmente para os eleitores mais jovens, que cresceram conectados às plataformas digitais. “É uma campanha de médio prazo. Independentemente do resultado, ele tende a sair maior do que entrou”, afirmou.

Engajamento nas redes
Questionado sobre a percepção de que a direita possui mais facilidade para se comunicar nas redes sociais, o especialista apontou fatores estruturais das próprias plataformas. Segundo ele, os algoritmos costumam favorecer conteúdos que geram confronto e debate, o que beneficia discursos mais combativos.

“A arquitetura das redes privilegia o enfrentamento. Quando uma publicação gera concordância e discordância, ela tende a alcançar mais pessoas porque cria mais interação”, explicou.

Além disso, Darlan destacou uma diferença geracional entre os dois campos políticos. Na avaliação dele, a direita tem revelado lideranças mais jovens, formadas dentro do ambiente digital, enquanto a esquerda ainda concentra boa parte de seus principais quadros em gerações anteriores. “O PT hoje tem muito mais quadros mais velhos do que quadros mais novos. Já a direita tem lideranças que cresceram nessa geração digital”, observou.

Por isso, ele acredita que a esquerda enfrentará um desafio importante no período pós-Lula. Ao mesmo tempo, não vê mudanças significativas nesse cenário no curto prazo. “Não vejo, neste momento, um elemento que indique uma mudança rápida nessa realidade”, afirmou.

Darlan também reforçou que campanhas eleitorais continuam sendo resultado de planejamento e construção gradual, sem atalhos ou fórmulas milagrosas. “Todo mundo quer uma fórmula pronta, mas ela não existe. Campanha é construção de um muro. É tijolinho por tijolinho”, concluiu.

Leia mais: Governo Lula vê pouca chance de reversão de medida dos EUA contra PCC e CV

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