A possibilidade de dissidências dentro da base aliada do governador Daniel Vilela (MDB) é vista pelo PSDB como um dos fatores que podem alterar o cenário político em Goiás nas eleições de 2026. Embora evite afirmar que depende de rompimentos no grupo governista para ganhar competitividade, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), pré-candidato ao Governo do Estado, reconhece que insatisfações internas podem abrir espaço para mudanças nas alianças políticas no Estado.
Principal liderança tucana em Goiás, Marconi afirmou que o PSDB pretende enfrentar o grupo governista com aposta no desgaste da atual gestão em áreas consideradas sensíveis, como saúde, políticas sociais e atendimento público. “Eu nunca tive medo de enfrentar a máquina pública. Foi assim em 1998, foi assim em 2010. Se eleição fosse decidida apenas pela força da máquina, nenhum governo perderia eleição no Brasil”, afirmou o ex-governador em entrevista ao O HOJE.
A declaração ocorre em meio ao movimento da base aliada de Daniel e do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que trabalham para manter unido o grupo político que comanda o Palácio das Esmeraldas desde 2019. A estratégia governista passa justamente pela manutenção da ampla coalizão formada por partidos de direita e centro-direita, prefeitos, deputados e lideranças regionais. A base trabalha para manter os rivais na disputa eleitoral (sobretudo Marconi e o senador Wilder Morais, do PL) isolados politicamente.
Do lado da oposição, porém, a leitura é de que o tamanho da base governista e a dificuldade em abrigar todo mundo podem atrapalhar a manutenção da coesão do grupo. “É natural também que existam dissidências dentro da própria base governista quando há promessas não cumpridas, insatisfação de setores importantes e falta de espaço para muita gente participar das decisões”, disse Marconi.
Construção de discurso
Apesar disso, o tucano evitou colocar eventuais rompimentos como condição para o fortalecimento de seu projeto político. Segundo Perillo, o foco do PSDB está na construção de um discurso voltado aos problemas enfrentados pela população e no trabalho de articulação política pelo interior do Estado. “Nosso foco não é contar com rompimentos ou desistências. O nosso foco é trabalhar. A política é dinâmica, e nós sabemos que ainda poderá haver muitas mudanças em relação às alianças”, destacou.
Marconi também afirmou que tem percorrido diferentes regiões de Goiás e disse enxergar um sentimento de insatisfação de parte da população com a administração estadual. Segundo o ex-chefe do Executivo, críticas relacionadas à qualidade dos serviços públicos aparecem com frequência durante as agendas realizadas no interior.
A estratégia acontece em um cenário considerado desafiador. Além da força política do grupo governista, Daniel herda a estrutura política construída por Caiado ao longo de dois mandatos consecutivos, o que inclui o apoio consolidado de prefeitos.
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Reconstrução de espaço
Mesmo assim, o PSDB tenta reconstruir espaço no Estado após perder protagonismo político nos últimos anos. O partido aposta na reorganização da legenda e na exploração de possíveis fissuras dentro da base governista para voltar a se colocar como alternativa competitiva na disputa pelo governo estadual em 2026.









