O professor de História Luis Cesar Bueno foi vereador em Goiânia e deputado estadual enquanto quis. Quando preferiu se aposentar, o PT lhe deu a inglória tarefa de perder para senador em 2018. Quadro preparado para o que receber de ordem da base, Luis Cesar parece ter novamente outra missão impossível, a de peitar Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) pelo Governo de Goiás. Neste fim de semana, em Brasília, a determinação para militantes de todo o País foi jogar no lixo o que houver de vaidade e fazer o impossível para reeleger seu xará Luiz Inácio Lula da Silva. Se vingar mesmo a opção por Luis, o PT estará demonstrando que acordou para um Estado que tem seu valor nas urnas mesmo com menos de 4% do eleitorado, pois a campanha em Goiás repercute na vizinhança inteira, Distrito Federal, os dois Mato Grosso, o Tocantins, o Oeste da Bahia e o Triângulo Mineiro. A seu modo, seria sinal de respeito.
Até o momento, a busca de Luis Cesar por votos é para Lula presidente e Delúbio Soares deputado federal. Essa ala do PT vai pela trilha que a direção nacional escolher. Discute, discute, discute, porque o PT adora uma discussão, mas se ficar definido, nem reclamam, vão às ruas buscar os votos. Luis tem condição de ganhar para governador? Não tem. E não é por falta de competência, mas porque não é a campanha que interessa. A ele, como aos demais, o que vale mesmo é manter Lula na Presidência da República.
O jovem pode até perguntar: quem é esse Luis Cesar Bueno?
Ex-gráfico, morador de Campinas, a região que deu origem a Goiânia, Luis está no time dos que defenderam internamente no PT a maior abertura possível para alianças. Com um critério: a única coisa que o novo companheiro não pode fazer é trair Lula. Assim, o partido está esticando ao máximo possível a corda, evitando que caia no pescoço do presidente. Enquanto houver esperança de reeleição, não desistem de reeleger o presidente. Diz-se nos bastidores que Camilo Santana deixou o Ministério da Educação não para tentar salvar a pele do reprovadíssimo governador do Ceará, Elmano de Freitas, mas para ser o estepe nº 1. Caso algo aconteça a Lula, como a possibilidade de perder, Camilo entraria em seu lugar. Luis Cesar ser candidato ao Governo de Goiás é demonstração de que o ex-ministro continua fora de cartaz.
Para reeleger Lula, o PT reaviva uma frase da então presidente Dilma Rousseff, segundo quem se pode fazer aliança até com o diabo. Claro, a referência não é ao tinhoso, mas ao que houve de mais ferrenho como adversário. Conforme O HOJE já publicou em minúcias, o PT só ganha eleição presidencial com o oposto ideológico na chapa. Com a esquerda na vice de Lula, perdeu em 1989, 1994, 1998; na vice de Fernando Haddad, a surra foi para Jair Bolsonaro em 2018. Com a direita na companhia, venceu três com Lula (2002, 2006 e 2022) e duas com Dilma (2010 e 2014). Em Goiás, Estado em que o PT coleciona derrotas terríveis, só tem o que comemorar quando se alia à direita. Foi assim em Goiânia, onde ganhou para prefeito em 1992 (Darci Accorsi de esquerda, Jovair Arantes de direita), 2000 (Pedro Wilson de esquerda, Linda Monteiro de centro) e 2012 (Paulo Garcia de esquerda, Agenor Mariano de direita).
Ala de Luis Cesar no PT foi atrás de políticos de direita em Goiás
Neste ano, Luis Cesar e seu grupo tiveram a iniciativa de procurar políticos de direita, como o ex-governador José Eliton, mas não conseguiu montar a chapa. Aliás, até agora nada tem de pronto quanto às candidaturas majoritárias. Não se sabe quem vai ocupar as oito vagas principais, as majoritárias, governador e vice, duas de senador com dois suplentes cada. Até agora, nem Luis Cesar foi apresentado. Aliás, sequer foi aventado como pré-candidato. Já se mostraram como alternativas o jornalista Cláudio Curado e o líder comunitário Cícero Rocha, também chamado de Cícero Goiás. Até agora, nenhum deslanchou.
O Diretório Nacional do PT, presidido por Edinho Silva, não quer saber disso. Seu intento é o de todas as autoridades petistas, conservar o cargo 01 do País. No momento, não está fácil. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou na disputa depois de o pai, Jair, ser transferido para o regime fechado, na Papudinha, em Brasília. Mesmo assim, Flávio subiu igual a um foguete do Elon Musk, empatou com Lula e, agora, o ultrapassou. Como só tem Lula de esquerda como opção para votar, quando há alguma novidade é com outro candidato de direita. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão-SP) já tiveram sua janela de oportunidade. Agora, está sendo a vez de Romeu Zema (Novo-MG), que ganhou apoios ao enfrentar ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente Gilmar Mendes.
Adriana e Rubens teriam mais chance contra Daniel, Marconi e Wilder
Os dois deputados federais goianos eleitos pelo PT, Adriana Accorsi e Rubens Otoni, teriam mais chance no enfrentamento a Daniel, Marconi e Wilder. Mas, caso perdessem, e é o que ocorreria, o partido ficaria com um parlamentar a menos e no dia seguinte ninguém mais se lembraria do heroísmo de quem se sacrificou. Já foi o caso do pai de Adriana, Darci Accorsi, cuja eleição para prefeito de Goiânia em 1985 havia sido roubada e obteria tranquilamente mandato de deputado federal no ano seguinte. Mas foi para o sacrifício de enfrentar Henrique Santillo e Mauro Borges em 1986. Antônio Gomide, irmão de Rubens, também teve sua vez de se lascar em nome do amor à estrela vermelha. Era prefeito de Anápolis, reeleito com folga em 2012, e foi para o sacrifício em 2014.
Luis Cesar tem pouco a perder além do comando da campanha de Delúbio Soares, que pela quantidade de apoiadores em todos os níveis econômicos e sociais deve ser um dos mais votados de Goiás para deputado federal. Bem que Luis tentou arrumar candidato fora do partido. A ideia inicial era fazer aqui o que está sendo tentado em São Paulo, Minas Gerais e outros Estados, atrair o PSDB. Marconi Perillo preferiu insistir em ser o preferido do bolsonarismo, o que está mais longe de acontecer do que Lula abrir mão da reeleição para apoiar Flávio Bolsonaro. (Especial para O HOJE)
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