Bruno Goulart
O ex-deputado federal Jovair Arantes (PSDB) afirmou, em entrevista ao programa Momento Político, do O HOJE, que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) tem condições de chegar ao segundo turno da disputa pelo governo de Goiás e, nesse cenário, seria o favorito para vencer a eleição. A declaração foi dada aos jornalistas Wilson Silvestre e Bruno Costa. Para Jovair, apesar das dificuldades enfrentadas pelo tucano, existe uma percepção positiva no interior sobre o período em que Marconi comandou o Estado.
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Na avaliação de Jovair, a rejeição a Marconi ainda representa um obstáculo, assim como a falta de uma militância tão mobilizada quanto em eleições anteriores. No entanto, o ex-deputado afirmou que tem percebido uma reação favorável durante as viagens pelo Estado. “Há uma motivação muito grande”, disse. Para Jovair, parte da rejeição registrada nas pesquisas é consequência da própria polarização eleitoral, já que eleitores de um candidato tendem a rejeitar os adversários.
Segundo turno
Além disso, o tucano aposta que o segundo turno mudaria completamente o cenário. O ex-deputado considera que os candidatos que avançarem para o pleito terão condições mais equilibradas, inclusive em relação ao tempo de propaganda eleitoral. Nesse contexto, avaliou que Marconi poderia receber apoio de setores da direita caso enfrente Daniel Vilela (MDB). Da mesma forma, acredita que o PSDB apoiaria Wilder Morais (PL) se o senador avançar para o segundo turno. “Quem chegar ao segundo turno, tendo o segundo turno, é dois contra um”, afirmou.
Por outro lado, Jovair minimizou o impacto do pouco tempo de televisão que Marconi terá na campanha. O ex-governador tem apenas 30 segundos. De acordo com o ex-deputado, as redes sociais mudaram a forma de fazer política e permitiram que candidatos com estruturas menores alcancem diretamente o eleitor. “A rede social tampa tudo”, declarou. Na avaliação de Jovair, a internet democratizou a comunicação eleitoral e reduziu a dependência dos partidos em relação ao horário eleitoral gratuito. O ex-deputado também criticou a regra que distribui o tempo de televisão de acordo com o tamanho das bancadas no Congresso.
Trajetória de Marconi
“Não me arrependo hora nenhuma. Fiz o que tinha que fazer”, sobre ter sido relator do impeachment de Dilma Rousseff. Foto: Maju Soares/O HOJE
Ao comentar a trajetória de Marconi, Jovair destacou obras realizadas durante os governos do tucano, principalmente na área de infraestrutura e abastecimento de água. O ex-deputado citou o Sistema Produtor Mauro Borges (SPMB), associado à barragem do Ribeirão João Leite, como exemplo de obra que considera fundamental para o futuro da Região Metropolitana de Goiânia. Para Jovair, o crescimento populacional da região torna novos investimentos em abastecimento necessários. O ex-deputado também mencionou hospitais, duplicações de rodovias e iluminação de acessos a Goiânia como parte do legado do tucano.
Apesar da defesa do retorno de Marconi, Jovair reconheceu que a candidatura enfrenta desafios. O ex-deputado disse que a militância do PSDB foi “esfacelada” e envelheceu ao longo dos anos. Ainda assim, considera que o ex-governador tem uma vantagem: o reconhecimento das obras realizadas durante seus mandatos. “O povo está vendo isso”, afirmou Jovair ao explicar a receptividade que diz encontrar nas cidades goianas.
Henrique Arantes
A entrevista também tratou da candidatura de Henrique Arantes, filho de Jovair, que disputa uma vaga de deputado federal pelo PSDB. Depois de seis mandatos na Câmara dos Deputados, Jovair passou a atuar na campanha do filho. Segundo o ex-deputado, a intenção é construir uma sucessão política capaz de manter a atuação em Brasília. “Geralmente, o filho é melhor que o pai”, brincou. Jovair disse esperar que Henrique consiga fazer um trabalho ainda maior do que o realizado por ele.
PTB
Durante a conversa, Jovair também falou sobre a trajetória do PTB, partido do qual foi líder na Câmara. Para ele, a legenda perdeu força principalmente pela condução de Roberto Jefferson, que assumiu a presidência após a morte de José Carlos Martinez. Jovair afirmou que o partido cresceu inicialmente, mas acabou sendo destruído internamente pela postura do ex-presidente da sigla. O episódio envolvendo Jefferson e agentes da Polícia Federal, em 2022, foi citado pelo ex-deputado como um dos momentos que contribuíram para o desgaste definitivo da legenda.
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