O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) anunciou que não disputará mais uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão representa uma reviravolta no cenário político do Distrito Federal, já que a candidatura ao Congresso Nacional motivou sua desincompatibilização do cargo de governador no fim de março, quando transmitiu o comando do Executivo à então vice-governadora Celina Leão (PP).
Ao confirmar a desistência, Ibaneis afirmou que pretende se dedicar à vida pessoal e que considera encerrado seu ciclo na política.
“Quero cuidar da minha vida”, resumiu o ex-governador ao anunciar a decisão. Em outra declaração, disse que, após anos dedicados à administração da capital, chegou o momento de priorizar a família e os projetos pessoais.
A decisão também encerra meses de articulações políticas em torno da disputa pelas duas vagas ao Senado que estarão em jogo pelo Distrito Federal. Desde o início do ano, Ibaneis era apontado como um dos principais nomes do MDB para a eleição e deixou o Palácio do Buriti dentro do prazo previsto pela legislação eleitoral justamente para viabilizar sua candidatura.
Nos bastidores, porém, o cenário político mudou nos últimos meses. O ex-governador passou a enfrentar desgaste na relação com antigos aliados, especialmente após divergências envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e mudanças na composição do grupo político que sustentou sua gestão. O rompimento com Celina Leão e a definição do PL pelo apoio às candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado reduziram o espaço para a construção de uma candidatura unificada do campo conservador no Distrito Federal.
Advogado de carreira, Ibaneis ingressou na política em 2018, quando venceu a disputa pelo Governo do Distrito Federal derrotando o então governador Rodrigo Rollemberg. Quatro anos depois, foi reeleito ainda no primeiro turno, tornando-se um dos poucos governadores do DF a conquistar um segundo mandato consecutivo. Durante sua gestão, enfrentou desafios como a pandemia de Covid-19, executou obras de infraestrutura, ampliou programas sociais e promoveu investimentos em mobilidade urbana, saúde e segurança pública.
Com a saída do governo para disputar o Senado, Celina Leão assumiu definitivamente o comando do Executivo local e passou a liderar o grupo político governista. Agora, com a desistência de Ibaneis, o cenário eleitoral no Distrito Federal sofre nova reconfiguração, abrindo espaço para a redefinição das alianças e das candidaturas que disputarão as duas vagas ao Senado em outubro.
Ao comunicar sua decisão, o ex-governador também afirmou que não pretende concorrer a nenhum outro cargo eletivo nas eleições deste ano, sinalizando que considera encerrada sua trajetória na vida pública após dois mandatos consecutivos à frente do Governo do Distrito Federal.
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