Bruno Goulart
As conversas entre o PDT e o PSDB do ex-governador Marconi Perillo colocam mais um elemento de indefinição na disputa pelo Governo de Goiás em 2026. O partido presidido no Estado por Kowalsky Ribeiro ainda não decidiu qual caminho vai seguir. Ao mesmo tempo em que mantém diálogo com o PT, que lançou o ex-deputado Luis Cesar Bueno como pré-candidato ao governo, a legenda também conversa com Marconi, que é pré-candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Kowalsky afirma que as conversas existem, mas diz que ainda não há decisão tomada. Segundo o presidente da sigla, o PDT tem dialogado com diferentes forças políticas para tentar construir uma alternativa competitiva para Goiás. “As conversas existem e acontecem com naturalidade, como devem acontecer na política. O PDT tem dialogado com diversos atores do cenário estadual, sempre com o objetivo de construir um projeto sólido para Goiás”, afirma ao O HOJE.
Na prática, a movimentação pode enfraquecer a chapa da esquerda, caso o PDT decida não apoiar Luis Cesar Bueno. O PT tenta reunir partidos de esquerda e centro-esquerda em torno da candidatura própria ao governo. No entanto, a saída do PDT desse bloco tiraria da composição uma legenda tradicional, com estrutura partidária e presença em diferentes regiões do Estado.
Além disso, a disputa pelo Senado pesa nas negociações. Na esquerda e na centro-esquerda, pelo menos cinco nomes querem espaço na chapa: Aldo Arantes, do PCdoB; Isaura Lemos, do PSB; Iure Castro, do Cidadania; Cíntia Dias, do PSOL; e o próprio Kowalsky Ribeiro, do PDT. O problema é que, em 2026, estarão em disputa apenas duas vagas ao Senado. Por isso, nem todos os interessados conseguirão ser acomodados no mesmo palanque.
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Kowalsky já deixou claro que o PDT não abre mão da vaga ao Senado. Segundo o pedetista, essa é uma das condições para qualquer aliança, junto com o apoio à candidatura do presidente Lula da Silva (PT) e a participação do partido na construção do plano de governo, principalmente nas áreas de educação, qualificação profissional e geração de emprego.
“Existem três situações bem claras e colocadas tanto ao PT quanto ao PSDB: o PDT apoiará, por seus candidatos proporcionais, Lula; não abre mão da construção do plano de governo na área da educação e trabalho; e da vaga ao Senado na chapa majoritária”, afirma Kowalsky.
Com PSDB
Nesse cenário, se o PDT não encontrar espaço na chapa liderada pelo PT, é provável que busque outra composição onde consiga viabilizar a candidatura de Kowalsky ao Senado. É justamente aí que entra o diálogo com Marconi Perillo. Embora seja de centro-direita, o ex-governador tem um perfil mais moderado do que o senador Wilder Morais (PL) e o governador Daniel Vilela (MDB), o que facilita alguma aproximação com setores da centro-esquerda.
Kowalsky também vê possibilidade de ganho para os dois lados. “Qualquer aproximação institucional interessa na medida em que fortaleça um projeto político capaz de dialogar com diferentes setores da sociedade. O eventual ganho é recíproco: o PDT amplia sua capacidade de participação em um projeto majoritário e qualquer aliança também passa a contar com a história, a estrutura e a contribuição política do PDT em Goiás”, diz.
O dirigente, no entanto, afirma que as conversas não devem ser vistas como uma tentativa de enfraquecer o PT ou qualquer outro campo político. Segundo Kowalsky, o partido respeita todos os pré-candidatos e busca entender onde há mais convergência programática. “Não vejo essas conversas como um movimento para enfraquecer este ou aquele campo político. O foco é avaliar qual composição melhor atende aos interesses de Goiás”, declara. (Especial para O HOJE)
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