Construção de imagem própria, esse era considerado por analistas políticos um dos principais desafios do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), antes de tomar posse do comando do Executivo estadual e durante sua pré-campanha para reeleição.
No 16º dia à frente do Governo do Estado, o emedebista executou mudanças significativas na estrutura governamental como a reestruturação de ao menos 21 secretarias da gestão, além de conciliar os eventos de sua pré-candidatura com a agenda administrativa.
O governador reitera, frequentemente, que seu modo de governar é baseado nas ações adotadas nos sete anos de governo comandado por Ronaldo Caiado (PSD), que agora concorre à Presidência da República. Tem recebido destaque o discurso de Daniel no que tange à segurança pública e ao combate ao crime organizado no Estado, o que, para muitos especialistas, é tido como uma pauta essencial a ser discutida nos debates eleitorais, tanto no âmbito estadual quanto no federal.
Créditos: Jota Eurípedes
“Quando eu disse que bandido não se cria em Goiás ou muda de profissão, muda do Estado, está aí. Não é discurso, é a realidade. Essa radiografia explicita tudo. Nós devolvemos Goiás aos goianos”, celebrou Caiado ao apresentar um levantamento que aponta quedas nos registros de criminalidade no Estado pelo sétimo ano consecutivo.
“Os resultados são surpreendentes do ponto de vista do avanço da segurança pública no Estado. Se há sete anos eu dissesse que nós atingiríamos esses patamares, as pessoas iam dizer que eu estava com populismo ou fazendo promessas que não iria atingir”, enfatizou o ex-governador durante apresentação dos índices que ocorreu no início deste ano, quando o pessedista comandava o governo.
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Apontamentos da esquerda
Diante da posição de destaque de Goiás na lista de Estados mais seguros do País, a esquerda busca mostrar que Caiado e Daniel não se atentam para a atuação de facções criminosas em Goiás, com base nos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. A força-tarefa revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal do Primeiro Comando da Capital (PCC) que utilizava postos de combustíveis em Goiás e outros sete Estados.
Em contrapartida às críticas, o atual Governo de Goiás lançou a Operação Destroyer, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás (PC-GO), caracterizada por ser uma ação contínua de combate ao crime organizado e que foca na desarticulação de facções criminosas envolvidas em tráfico e homicídios.
“Maior operação da história”
Em sua 4ª fase, a operação já resultou em 129 prisões e bloqueio de R$ 235 milhões em bens. Ao comentar os resultados da operação, Daniel ressaltou a dimensão da ação. “Esta é a maior operação da história da Polícia Civil no combate ao crime organizado aqui em Goiás. Desde a manhã, já foram presos 63 faccionados”, afirmou o chefe do Executivo estadual na última terça-feira (14), ao reforçar que “em Goiás, faccionado não tem vez”.
O secretário de Segurança Pública, coronel Renato Brum dos Santos, destacou o reconhecimento nacional das iniciativas de combate ao crime desenvolvidas no Estado. “Goiás se consolida como referência na utilização de tecnologia aplicada à segurança pública, além de destacar a importância da atuação integrada entre as instituições”, afirmou.
Dessa forma, Daniel começa a vincular sua imagem a operações relevantes das forças policiais e, ao mesmo tempo, reforça a sinalização de continuidade em relação à gestão anterior.
Créditos: Remisson Sales, Hegon Corrêa e Benedito Braga
A abertura de diálogo com entidades e associações, ainda no início do mandato, indica uma tentativa do emedebista de equilibrar a firmeza no combate ao crime com atenção às demandas internas das corporações e, ainda, com o intuito de adquirir um importante saldo eleitoral para outubro. (Especial para O HOJE)








