O candidato a deputado federal Delegado Waldir (União Brasil) passou a ser alvo de uma ação na Justiça Eleitoral que questiona sua atuação à frente do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO). A representação sustenta que o então presidente do órgão teria utilizado a estrutura pública para dar tratamento prioritário a processos ligados a pessoas de sua base política e pede que os fatos sejam investigados como possível abuso de poder político.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi apresentada pela candidata a deputada estadual Arianne Candido Medeiros Ungarelli. Entre os elementos citados está uma gravação atribuída a Waldir, feita durante o período em que ele comandava o Detran. Conforme descrito no processo, o conteúdo registra uma conversa com uma servidora sobre processos de credenciamento de instrutores autônomos e menciona um grupo de aproximadamente 7 mil pessoas associado à sua base de apoio.
A representação afirma que, durante o diálogo, Waldir teria perguntado à servidora se ela trabalhava para o deputado estadual Charles Bento ou para ele e, na sequência, orientado que determinados processos recebessem atenção. Para os autores da ação, a conduta pode caracterizar utilização da autoridade do cargo e da estrutura administrativa do Detran para favorecer pessoas relacionadas ao grupo político do então dirigente.
O processo ainda está em fase de apuração e a própria ação solicita que outros elementos sejam produzidos para esclarecer os fatos. Entre os pedidos apresentados estão a preservação do arquivo original da gravação, acesso aos respectivos metadados e o fornecimento de documentos e registros administrativos referentes aos processos de credenciamento mencionados. A intenção é verificar a autenticidade do material e estabelecer as circunstâncias em que os procedimentos foram conduzidos.
Waldir esteve à frente do Detran-GO de março de 2023 a abril de 2026. Após deixar a presidência, passou a atuar como assessor especial da Secretaria de Estado da Administração (Sead), cargo do qual foi exonerado em julho para disputar as eleições deste ano.
Caso a Justiça Eleitoral conclua pela existência de abuso de poder político, a ação pede a aplicação das sanções previstas na legislação, entre elas a cassação do registro ou do diploma e a declaração de inelegibilidade. A apresentação da AIJE, entretanto, não significa que as acusações tenham sido comprovadas. O processo ainda deverá passar pela análise da Justiça Eleitoral, que poderá determinar a produção de provas antes de decidir sobre a existência ou não de irregularidades.
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