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Com recesso iniciado, Alego já direciona foco para eleição de 2026

Administrador Por Administrador
24 de dezembro de 2025
Em Política
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Com recesso iniciado, Alego já direciona foco para eleição de 2026

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Bruno Goulart

Com a entrega da peça orçamentária ao Governo de Goiás na última segunda-feira (22), a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) encerrou oficialmente as atividades de 2025 e deu início ao recesso parlamentar, que deve ir até 18 de fevereiro. O balanço divulgado pela Casa aponta votação de 3.143 proposituras ao longo do ano. No entanto, a análise do conteúdo revela um dado incômodo: a maior parte das matérias aprovadas trata de reconhecimentos culturais, datas comemorativas, semanas temáticas e declarações de patrimônio imaterial, com poucos projetos de impacto direto e estrutural para a população goiana.

Nesse cenário, duas exceções se destacam negativamente, segundo avaliação de parlamentares ouvidos pela reportagem: o aumento do ICMS, aprovado pela Casa, e a reestruturação do Ipasgo, cuja conta acabou sendo repassada a servidores públicos e dependentes. Ambas as decisões têm efeitos concretos no bolso da população e reforçam a percepção de que os principais ônus recaíram sobre o cidadão comum.

Ao olhar para 2026, último ano da 20ª Legislatura, o diagnóstico é de cautela — ou de esvaziamento. Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e da Comissão Mista da Alego, o deputado Amilton Filho (MDB) afirma que a Casa seguirá alinhada ao Executivo estadual. “Continuaremos ao lado do Governo do Estado”, disse ao O HOJE. Questionado sobre a existência de pautas de grande impacto previstas para o próximo ano, foi direto: “Ainda não tem uma pauta de grande impacto”.

Segundo Amilton, o primeiro semestre deve transcorrer com funcionamento normal das comissões e sessões. Já no segundo semestre, quando as campanhas eleitorais começam oficialmente, o formato do trabalho ainda será debatido com o presidente da Casa, Bruno Peixoto (UB). “Vou trabalhar para garantir quórum e priorizar o trabalho como deputado estadual”, resumiu.

Leia mais: Alego empurra conta do Ipasgo para servidores

Por outro lado, o deputado Gugu Nader (Agir) apresenta uma leitura mais crítica e política do momento. Para o parlamentar do Agir, o ano eleitoral já chegou à Alego. “Infelizmente, a eleição foi antecipada e os deputados já começaram a sofrer cobranças de apoio eleitoral”, afirmou. Gugu revelou que, diante desse cenário, optou por deixar a base e se declarar independente — decisão que classificou como um “pesar”.

Nader relata que a pressão estaria ligada, sobretudo, à disputa pelo governo estadual em 2026, com pré-candidatos a exigir articulação de apoio nas bases eleitorais. “Não me senti confortável”, disse. Para 2026, sua expectativa legislativa é modesta: “Não tem pauta de grande impacto prevista. A grande pauta é buscar reeleição — de governador e deputados. Só se o governo mandar algo relevante”.

Todos deputados da Alego estarão em campanha
O cálculo eleitoral é quase unânime na Casa. Dos 41 deputados estaduais, todos devem tentar a reeleição, com exceção do presidente Bruno Peixoto (UB), além de Lucas Calil (MDB), Lucas do Vale (MDB) e Ricardo Quirino (Republicanos), que disputarão vagas na Câmara dos Deputados. O restante mira a manutenção do mandato na Alego.

Mesmo assim, há quem minimize os impactos do calendário eleitoral. O deputado Clécio Alves (Republicanos) afirma que é possível conciliar campanha e atividade parlamentar. “A Alego tem três sessões por semana e dá pra conciliar sim. Não vejo problema”, declarou. Pré-candidato à reeleição, Clécio diz que seguirá a trabalhar pela população e revelou um desejo pessoal: “Meu sonho era cancelar a taxa do agro. É uma injustiça muito grande com o agro de Goiás”.

Na oposição, a deputada Bia de Lima (PT) foi pragmática: “Quem deixou para fazer campanha na última hora, vai ter problemas. É um trabalho contínuo”. A declaração sintetiza o espírito que deve dominar 2026 na Alego: um Parlamento formalmente em funcionamento, mas com baixa produtividade diante das campanhas eleitorais. (Especial para O HOJE)

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