Os programas dos candidatos ao Governo de Goiás que circularam pela primeira vez na última sexta-feira (28), na estreia do horário de propaganda eleitoral gratuita nas rádios e TVs, estabeleceram as primeiras marcas que cada campanha irá explorar até o próximo dia 3 de outubro, data final prevista para as campanhas eleitorais. No primeiro dia de propaganda eleitoral, Daniel Vilela (MDB), Luis Cesar Bueno (PT), Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) utilizaram o espaço para apresentar aos eleitores suas trajetórias, com diferentes discursos.
Daniel utilizou o espaço para reforçar sua trajetória política e, sobretudo, a ideia de continuidade da gestão do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). O programa apresentou o candidato à reeleição ao lado do ex-governador na convenção da base aliada, no último dia 5, com associações diretas do emedebista ao candidato à presidência. O governador também falou em honrar o legado de Caiado e os ensinamentos do pai, o ex-governador Maguito Vilela (MDB).
Wilder adotou uma narrativa ligada à identidade goiana. O programa valorizou o crescimento do Estado, mas contrapôs os avanços a problemas como filas na saúde e empregabilidade. A peça também explorou a imagem do ex-governador Iris Rezende (MDB), pai da candidata a vice Ana Paula Rezende (PL), e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Luis Cesar Bueno combinou a apresentação de sua trajetória política com a associação direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista foi apresentado como o candidato do presidente e aparece ao lado de Lula em um trecho do vídeo. A campanha também destacou a experiência do candidato como militante e como professor da rede pública, além dos mandatos de vereador e deputado estadual.
Já Marconi concentrou sua mensagem no legado dos quatro mandatos como governador. O tucano citou obras e programas de suas gestões e fez uma comparação com o governo atual. “Quando fui governador pela primeira vez, fiz mais obras em seis meses do que esse governo”, afirmou. Ao final, convidou os eleitores para suas redes sociais.
Ainda é cedo para dizer
Para o estrategista político Marcos Marinho, a primeira rodada ainda não permite afirmar que os discursos apresentados serão mantidos até o fim da campanha. De acordo com Marinho, o momento foi de apresentação, especialmente porque Wilder e Cesar Bueno, e em menor medida Daniel, ainda precisam ampliar o nível de conhecimento do eleitorado sobre suas trajetórias.
Marinho ainda ressalta que ajustes acontecerão conforme o acirramento da disputa. “Quando a campanha esquentar e engrenar mais, que são às vezes aquelas falas de desconstrução de um candidato para o outro, uma diferenciação para que de fato chame a atenção dos eleitores deve acontecer. Está cedo para acreditar que os programas eleitorais já estão todos definidos daqui até o final”, afirma ao O HOJE.
Já a avaliação do Mestre em História e especialista em Políticas Públicas, Tiago Zancopé, recai, sobretudo, pela estratégia adotada por Wilder. Zancopé alega que faltou uma exploração robusta da imagem de Ana Paula e do legado de Iris. “Era preciso mostrar mais a Ana Paula já nesse primeiro programa para mostrar que ela é a vice dele e também é a filha do Iris. O Wilder precisa ter orgulho dela”, afirma o especialista ao O HOJE.
Zancopé destaca que a exposição de Ana Paula com Wilder auxiliaria na aproximação com o eleitor. O especialista destaca a importância do movimento após a declaração durante a convenção estadual do PL, no último dia 1º. Na ocasião, Wilder disse que “em primeiro lugar” defenderia o candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), e “depois” defenderia o Estado de Goiás. “Já apresentaria a Ana Paula e o que eles vão fazer por Goiás. Ela aparece? Aparece. Mas ela é apresentada? Não”, conclui.
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