A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira (10), mostrou que o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), segue estagnado nos levantamentos eleitorais de intenção de voto.
O estudo mostrou que, na simulação de primeiro turno, Caiado aparece com 3%, empatado tecnicamente, pela margem de erro, com Renan Santos (Missão); com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); com o deputado federal Aécio Neves (PSDB); com Augusto Cury (Avante); com Samara Martins (UP); e com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa (DC).
Em suma, o ex-governador de Goiás, que foi o primeiro presidenciável a se lançar como pré-candidato, aparece no mesmo patamar que todos os demais pré-candidatos, exceto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O melhor desempenho de Caiado ainda é tímido. O nome do PSD registra 7% nas regiões Centro-Oeste e Norte, que aparecem agrupadas no levantamento. O resultado chama atenção por incluir justamente a região onde está Goiás, principal base política do ex-governador.
Para o especialista em Marketing Político, Marcos Marinho, a dificuldade de crescimento está relacionada à incapacidade de Caiado ocupar um espaço próprio na disputa. Segundo Marinho, o pré-candidato mantém um discurso excessivamente direcionado ao enfrentamento de Lula, enquanto seu principal concorrente no campo da direita seria Flávio
“É impossível que o Caiado seja mais bolsonarista que o Flávio Bolsonaro, que é filho do Bolsonaro. Então, para crescer, ele precisaria se diferenciar e aproveitar o desgaste enfrentado pelo senador por conta do seu relacionamento com o Daniel Vorcaro, do Banco Master”, afirma.
Marinho avalia ainda que a campanha do ex-governador não tem conseguido romper a bolha do eleitorado conservador nem dialogar com o contingente de eleitores que rejeita simultaneamente Lula e Bolsonaro. Na visão do especialista, o cenário ajuda a explicar a estagnação do goiano, inclusive em regiões tradicionalmente mais resistentes ao PT.
“É uma campanha que não rompe bolha, não dialoga com outros grupos e não consegue colocá-lo numa perspectiva de ser diferente do Flávio Bolsonaro”, diz Marinho. O especialista ainda aponta que Renan Santos, que tem apostado na aproximação do eleitor que não quer nem Lula e nem Flávio, tem subido nas pesquisas. “Ele veio do nada, um desconhecido total, e hoje está conseguindo pontuar acima de Zema e Caiado, porque está entendendo o espaço onde ele tem que se colocar, que é ser opositor a Lula e Flávio.”
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Consolidação de dois polos
O mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Lehninger Mota, observa que a pesquisa reforça um quadro de consolidação das intenções de voto dos dois polos da disputa nacional. Segundo o cientista, mesmo após a crise que envolve Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, os números do senador sofreram pouca alteração, o que dificulta o avanço de pré-candidaturas alternativas.
“A pesquisa demonstra uma calcificação dos votos de Lula e Flávio Bolsonaro. A queda registrada pelo senador foi pequena e não abriu espaço significativo para uma terceira via”, avalia.
Na avaliação de Mota, a permanência de Caiado em patamares baixos pode estimular o chamado voto útil ao longo da campanha, movimento que tende a beneficiar os candidatos mais competitivos. “O eleitor pode concluir que não vale a pena apostar em uma candidatura sem chances reais de chegar ao segundo turno e migrar para um dos polos da disputa”, afirma.
Reflexos em Goiás
Os dois analistas divergem, porém, sobre possíveis reflexos em Goiás. Marinho considera improvável que o desempenho nacional de Caiado afete diretamente o projeto de reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), uma vez que a sucessão estadual tende a ser influenciada por fatores locais e pela avaliação da atual gestão.
Já Mota entende que um eventual fracasso do projeto presidencial pode enfraquecer politicamente Caiado e reduzir sua capacidade de transferência de capital político para o aliado. “Quando você sai descredibilizado de um projeto, tem dificuldade de retomar a carreira política no mesmo patamar, e isso pode acabar afetando a candidatura de Daniel Vilela”, pondera.


