O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (19) que poderá voltar a atacar o Irã caso as negociações diplomáticas em curso no Oriente Médio fracassem nos próximos dias. Em meio a um cenário de pressão por uma trégua, o republicano disse que a suspensão das operações militares contra Teerã será temporária e indicou que novas ofensivas seguem em avaliação.
O presidente norte-americano afirmou que esteve perto de autorizar novos bombardeios antes de recuar temporariamente. Segundo ele, autoridades do Golfo alegaram que avanços recentes nas negociações justificariam mais tempo para tentar um entendimento com Teerã.
“Eu estava a uma hora de tomar a decisão de atacar hoje”, disse Trump. “Eles souberam que eu havia tomado a decisão e disseram: ‘Senhor, o senhor poderia nos dar mais alguns dias, porque achamos que eles estão sendo razoáveis’.”
Durante conversa com jornalistas, o republicano afirmou que o prazo concedido será curto. “Estou dizendo dois ou três dias, talvez sexta, sábado, domingo, algo assim, talvez no início da próxima semana — um período limitado. Porque não podemos permitir que eles desenvolvam uma nova arma nuclear”, declarou.
As declarações, segundo o norte-americano, ocorrem após dois dias de conversas entre Washington e aliados árabes da região. Trump afirmou que os países envolvidos comunicaram à Casa Branca que houve progresso nas tratativas diplomáticas. Ainda assim, o presidente reforçou que uma retomada das ações militares permanece sobre a mesa. “Talvez tenhamos que desferir outro grande golpe neles”, afirmou ao comentar a situação iraniana.
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Ao ser questionado sobre o risco de retaliações do Irã contra países do Oriente Médio aliados dos Estados Unidos, Trump reconheceu que Teerã ainda possui alguma capacidade militar na região. “Não muita, mas eles têm alguma”, disse.
A sinalização de Washington sobre a possibilidade de novos ataques, ocorre também após os EUA rejeitarem uma proposta de paz iraniana. Segundo a mídia estatal de Teerã, o plano prevê o encerramento das hostilidades em todas as frentes do conflito, incluindo no Líbano, além da retirada de forças norte-americanas de áreas próximas ao território iraniano e o pagamento de reparações pelos danos provocados pela guerra conduzida por EUA e Israel.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, segundo a IRNA, afirmou ainda que Teerã exige o levantamento das sanções econômicas, a liberação de recursos congelados no exterior e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos EUA.
Governo Trump anuncia nova rodada de sanções contra Teerã
Apesar das negociações, Washington anunciou nesta terça-feira uma nova rodada de sanções contra o Irã. O Departamento do Tesouro informou que as medidas atingem a casa de câmbio Amin Exchange, também conhecida como Ebrahimi and Associates Partnership Company, além de empresas apontadas por Washington como estruturas usadas para movimentações financeiras ligadas a bancos iranianos.
Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent (Foto: Reprodução/ @SecScottBessent)
Segundo o governo norte-americano, essas empresas operariam em diferentes jurisdições, incluindo Emirados Árabes Unidos, Turquia e Hong Kong, facilitando transações de centenas de milhões de dólares para driblar restrições internacionais impostas ao regime iraniano.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que o chamado “sistema bancário paralelo” iraniano permite o envio ilícito de recursos ligados ao financiamento do terrorismo. Além das sanções financeiras, os EUA também anunciaram restrições contra embarcações utilizadas no transporte de petróleo e derivados iranianos.










