As negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra ganharam novos desdobramentos neste fim de semana, com declarações públicas de autoridades dos dois países indicando avanços nas conversas, mas também a permanência de impasses centrais para um entendimento definitivo. Em entrevista à Fox News, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as tratativas estão “muito perto de um acordo muito bom”. O trecho da entrevista foi divulgado pelo perfil oficial da Casa Branca na rede social X. Segundo o presidente norte-americano, a prioridade é impedir que o Irã obtenha armas nucleares. “A única garantia” que possui, afirmou Trump, é que não haverá armamento nuclear iraniano. “Eles concordaram com isso e foi muito interessante”, declarou. O republicano também avaliou que as negociações avançam gradualmente, apesar da dificuldade das conversas. “Estamos conseguindo o que queremos lentamente. Negociadores muito difíceis. Leva muito tempo”, disse. Trump destacou ainda que prefere uma solução diplomática ao conflito, argumentando que um “acordo porque podemos abrir o estreito imediatamente após a assinatura”, rota estratégica para o comércio global de energia. Apesar do tom otimista, o presidente voltou a mencionar a possibilidade de uma solução militar caso as negociações fracassem. Segundo ele, os EUA podem “terminar militarmente” o conflito se não houver entendimento. “Se não conseguirmos o que queremos, vamos acabar com isso de uma forma diferente”, declarou. Leia mais: Acordo de paz entre EUA e Irã segue cercado de incertezas A fala ocorre após Trump anunciar, na sexta-feira (29), que participaria de uma reunião em uma sala segura da Casa Branca para tomar uma “decisão final” sobre uma proposta destinada a encerrar a guerra. As conversas foram finalizadas após duas horas e nenhum entendimento foi anunciado.
Governo Trump está preparado para retomar os ataques
Do lado norte-americano, o discurso de pressão foi reforçado pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth. Em Singapura, neste sábado (30), o chefe do Pentágono afirmou que as forças norte-americanas estão preparadas para retomar ataques contra o Irã caso as conversas não avancem. “Nossa capacidade de retomar [os ataques], se necessário… somos mais do que capazes”, declarou. Hegseth acrescentou que os estoques militares dos EUA são suficientes para sustentar novas operações e afirmou que Trump tem adotado uma postura paciente para alcançar um “grande acordo” que impeça o desenvolvimento de uma arma nuclear iraniana. Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, presidente Donald Trump e o Secretário de Defesa, Pete Hegseth (Foto: Emily J. Higgins./ Casa Branca)
Teerã cobra “direitos” iranianos para assinar acordo
Enquanto Washington mantém a pressão militar, Teerã sinaliza que não pretende aceitar qualquer entendimento sem contrapartidas concretas. Neste domingo (31), o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que nenhum acordo será aprovado enquanto os “direitos” iranianos não forem garantidos. “Os soldados do campo de batalha diplomático não confiam nas palavras e promessas do inimigo”, disse Qalibaf à agência semioficial Tasnim. “O que importa para nós são as conquistas tangíveis que devemos obter, em troca das quais cumpriremos nossos compromissos”, acrescentou. Paralelamente às conversas diplomáticas, os combates continuam em outras frentes da guerra. As Forças de Defesa de Israel anunciaram a captura do Castelo de Beaufort, posição estratégica no sul do Líbano, em uma operação que integra a ampliação das ações militares contra o Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a ofensiva e afirmou que a diretriz atual é aprofundar e expandir o controle israelense sobre áreas anteriormente dominadas pelo grupo.


