A proposta de um encontro direto entre os presidentes da Rússia e da Ucrânia esbarrou em mais um sinal de resistência de Moscou. Nesta sexta-feira (5), Vladimir Putin afirmou que não vê motivo para uma reunião com Volodymyr Zelensky, frustrando a tentativa do governo ucraniano de abrir uma nova frente de negociação para encerrar a guerra iniciada em 2022.
A declaração foi feita durante o fórum econômico anual realizado na Rússia e ocorreu um dia após Zelensky divulgar uma carta aberta dirigida ao líder russo. No texto, o presidente ucraniano defende o início de negociações para pôr fim ao conflito e propõe um encontro presencial entre os dois chefes de Estado em um país neutro.
Ao comentar a iniciativa, Putin questionou a intenção da mensagem enviada por Zelensky. Segundo o russo, o conteúdo não ajudaria a criar condições para uma conversa direta entre os dois governos.
“Esta carta contém algumas observações bastante grosseiras. Seria uma forma de criar as condições para um encontro presencial ou uma forma de evitar esse encontro? Acho que foi a segunda opção”, declarou. Questionado sobre a possibilidade de aceitar a proposta, respondeu de forma direta: “Não vejo sentido nisso agora”.
Leia mais: Rússia realiza ataque em larga escala e deixa 22 mortos em Kiev
Leia mais: Rússia retalia ofensiva ucraniana com ataque massivo
Leia mais: Ucrânia lança um dos maiores ataques aéreos contra Moscou
Zelensky critica atuação de Putin e propõe fim da guerra
A carta divulgada por Zelensky combina críticas à atuação de Putin em relação à Ucrânia ao longo das últimas duas décadas com um apelo pela abertura de negociações. O presidente ucraniano menciona os efeitos da guerra sobre os dois países e afirma que chegou o momento de buscar uma solução para o conflito.
“A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida”, escreveu.
Além de defender uma reunião entre os líderes, Zelensky sugeriu que o encontro acontecesse fora dos territórios russo e ucraniano. Entre os locais mencionados estão Suíça, Turquia e países árabes. O presidente também propôs um cessar-fogo total durante as negociações.
Zelensky divulga carta aberta dirigida à Moscou afirmando que ‘a Ucrânia propõe pôr fim’ no conflito (Foto: Reprodução/ @ZelenskyyUa)
A reação oficial inicial de Moscou veio por meio do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Segundo ele, Zelensky poderia viajar à capital russa para conversar. Peskov também afirmou que Putin ainda não havia visto a carta quando foi questionado sobre a iniciativa.
Apesar da proposta ucraniana, os sinais emitidos pelo Kremlin indicam que a posição russa permanece inalterada. Na quinta-feira (4), em conversa com jornalistas internacionais, Putin afirmou que as tropas russas seguem avançando diariamente no campo de batalha. Na mesma ocasião, declarou que propostas apresentadas por Trump poderiam levar ao fim dos combates caso a Ucrânia estivesse disposta a fazer concessões.
Os dois lados continuam acusando o adversário de impedir avanços rumo a um acordo. Nesta sexta-feira, nacionalistas russos também reagiram à carta de Zelensky, classificando a iniciativa como uma manobra de relações públicas voltada a estimular o descontentamento dentro da Rússia.
Kiev e Moscou trocam prisioneiros
Embora as negociações políticas permaneçam travadas, russos e ucranianos mantiveram uma das poucas formas de cooperação existentes desde o início da guerra. Os dois países concluíram uma nova etapa da troca de prisioneiros acordada após um cessar-fogo de três dias intermediado pelos Estados Unidos em maio.
Cada lado recebeu de volta 185 militares. A Ucrânia também informou o retorno de um civil. Segundo Zelensky, alguns dos prisioneiros libertados estavam detidos desde 2022. A operação teve mediação dos Emirados Árabes Unidos e integra um acordo mais amplo para a troca de mil prisioneiros de guerra de cada país.


