O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (20), na Alemanha, o fortalecimento do multilateralismo, criticou conflitos armados em andamento no cenário internacional e voltou a cobrar mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU). As declarações foram feitas em Hannover, durante coletiva de imprensa ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, no segundo dia da visita oficial do brasileiro ao país.
Ao comentar o cenário internacional, Lula afirmou que o mundo vive um momento de preocupação diante da escalada de guerras. “No momento em que a humanidade está um pouco assustada com a quantidade de guerras e de pessoas que morrem todos os dias, por guerras que não deveriam acontecer, Brasil e Alemanha dão o exemplo de que o povo quer paz”, disse.
O presidente também voltou a defender a reformulação do Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a atual estrutura do órgão concentra poder em poucos países e não corresponde mais à realidade política global. “É importante deixar publicamente explícito, é preciso renovar o Conselho de Segurança da ONU. Ele não é privilégio de cinco pessoas que não estão preocupadas com a paz, é preciso ter mais países participando […] ele não pode ser privilégio dos cinco que tomaram posse em 1945”, afirmou.
Durante a coletiva, Lula criticou ainda o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, em vigor há décadas, e classificou a medida como injustificável. “É uma vergonha global que um país não tenha tido a oportunidade, após a revolução, de decidir seu próprio destino, com uma potência impondo um bloqueio, um bloqueio ideológico contra Cuba”, declarou.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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Lula não acredita que o Irã esteja desenvolvendo uma bomba nuclear
Sobre o conflito no Oriente Médio, Lula afirmou não acreditar que o Irã esteja desenvolvendo uma bomba nuclear, argumento utilizado pelos Estados Unidos para justificar ações militares contra o país. “Volta à velha conversa de que o Irã está preparando uma bomba atômica. Eu não acredito. Como eu não acreditei quando o Bush invadiu o Iraque que o Saddam Hussein tinha armas nucleares. De vez em quando as pessoas constroem um mito falso para justificar uma posição que é irreconhecível e é irresponsável”, afirmou.
Durante a agenda na Alemanha, Lula comentou ainda a decisão do governo dos Estados Unidos de não convidar a África do Sul para a próxima cúpula do G20. Segundo ele, o país africano deve participar do encontro por ser membro fundador do grupo. O presidente afirmou ter orientado o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, a comparecer à reunião. “Eu disse ao Ramaphosa que ele deve ir ao G20 como membro. Eu se fosse ele iria, não como convidado, mas como membro fundador do G20”, afirmou.
Ainda, a visita teve como foco o fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Alemanha. Lula destacou que o país europeu ocupa posição central na economia global e mantém forte relação comercial com o Brasil. “A Alemanha é a terceira economia mundial e nosso quarto parceiro comercial com intercâmbio de US$ 21 bilhões. É um dos maiores investidores diretos no Brasil”, afirmou.
Segundo o presidente, os dois países firmaram parcerias em áreas como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisas ligadas ao clima e aos oceanos.
O presidente chegou à Alemanha no domingo (19) e participou de reunião privada com Merz. Em seguida, esteve na cerimônia de abertura da Feira Industrial de Hannover, da qual o Brasil é país parceiro nesta edição.









