Os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do Peru, renunciaram simultaneamente, nesta quarta-feira (22), e expuseram um racha no governo interino de José María Balcázar em torno da compra bilionária de caças F-16 dos Estados Unidos, em meio a um cenário de instabilidade política e questionamentos sobre o processo eleitoral no país.
Carlos Díaz, da Defesa, e Hugo de Zela, das Relações Exteriores, deixaram os cargos após divergirem da condução do acordo pelo presidente. Em carta, Díaz afirmou: “Foi tomada uma decisão estratégica na área de segurança nacional com a qual tenho uma discordância fundamental”. Ambos sustentam que o contrato para aquisição das aeronaves foi assinado, enquanto Balcázar declarou, na terça-feira (21), que decidiu adiar o compromisso financeiro para o próximo governo.
Em pronunciamento televisionado, o presidente interino tentou conter a crise ao dizer que suas declarações anteriores foram mal interpretadas. Segundo ele, o processo de compra avançou, mas o pagamento ficará sob responsabilidade da futura gestão, que será definida após o segundo turno das eleições, previsto para o início de junho.
O impasse envolve um projeto estimado em US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) para a modernização da frota aérea peruana. O país negocia há anos a substituição dos caças Mirage 2000 e MiG-29, adquiridos entre as décadas de 1980 e 1990. A previsão é de compra de 24 aeronaves, sendo um primeiro lote de 12 unidades. Além dos F-16, modelos como o Rafale, da França, e o Gripen, da Suécia, chegaram a ser avaliados.
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Crise política no Peru
A crise ocorre em meio a uma sequência de turbulências políticas. Na véspera, o chefe do órgão eleitoral, Piero Corvetto, também renunciou poucas horas antes de prestar depoimento ao Ministério Público sobre falhas nas eleições gerais realizadas em 12 de abril.
O pleito foi marcado por atrasos na apuração, problemas logísticos e denúncias que abalaram a confiança pública. Mais de 50 mil eleitores ficaram impedidos de votar, levando à extensão do horário de votação por 24 horas.










