Os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que provocou uma tensão diplomática entre Brasília e Washington. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, após agenda de Flávio na Casa Branca na terça-feira (26). Segundo o Departamento de Estado, PCC e CV passarão a integrar duas listas do governo norte-americano. A primeira categoria é de “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs), que entrou em vigor imediatamente, e a segunda a de “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs), válida a partir de 5 de junho. Ao anunciar a medida, o governo norte-americano afirmou que as facções brasileiras estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e acusou os grupos de comandarem milhares de integrantes e promoverem “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis. A reação do presidente Lula veio nesta sexta-feira (29). Durante discurso, o petista afirmou estar “triste” com a decisão dos EUA e disse que o Brasil combaterá o crime organizado sem aceitar que o Brasil seja tratado como “moleque”. “Estou muito triste hoje, com a notícia de que o Secretário dos Estados Unidos, da América do Norte, um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, afirmou o petista. Leia mais: Governo Lula responde EUA após classificação do PCC e CV como terroristas Leia mais: EUA classificam PCC e Comando Vermelho como terroristas; entenda o que muda Lula reconheceu que PCC e CV aterrorizam moradores de periferias e regiões dominadas pelas facções, mas rejeitou a classificação adotada pelos Estados Unidos. “Eles são terroristas para quem mora na periferia, porque incomodam famílias, bairros e cidades. Mas não são os terroristas que o Trump quer”, declarou. O presidente afirmou ainda que o Brasil já aprovou leis para combater facções criminosas e voltou a defender que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido internamente. “Nós aprovamos uma Lei Antifacção, e aprovamos a lei para combater o crime organizado, e vamos combater”, disse.
Flávio afirma que foi aos EUA ‘trabalhar’ para a designação das facções
Além da declaração de Lula, o senador Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo nas redes sociais atribuindo a si a decisão do governo norte-americano. “Lula foi de joelhos atrás do Trump fazer lobby a favor de CV e PCC. Eu fui trabalhar para que eles fossem tratados como terroristas”, afirmou Flávio. Flávio Bolsonaro e Donald Trump durante encontro na Casa Branca (Foto: Reprodução/ @FlavioBolsonaro) O senador também declarou que “um em cada quatro brasileiros mora em áreas dominadas por esse Estado terrorista” e agradeceu a Trump e Rubio “por atenderem rapidamente” ao pedido feito “em nome do povo brasileiro”. Ao comentar a viagem de Flávio, Lula afirmou: “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, declarou.
Lula afirmou que os EUA não devem brincar com soberania brasileira
O presidente também afirmou ter preocupação com o interesse internacional sobre minerais críticos, terras raras e riquezas naturais brasileiras. Ao defender a soberania nacional, Lula citou a Amazônia: “Daqui a pouco vão dizer: a Amazônia é nossa. Não”, afirmou. O presidente ainda pediu que “não brinquem, não brinquem com a soberania desse país, não brinquem com a nossa democracia”. A classificação das facções amplia o alcance das sanções previstas pela legislação norte-americana, incluindo bloqueio de bens e recursos ligados aos grupos designados como terroristas. A lei dos EUA também permite operações militares relacionadas ao combate a organizações enquadradas nessa categoria. No Brasil, porém, a legislação estabelece que o terrorismo exige motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito. PCC e CV são tratados pelas autoridades brasileiras como organizações criminosas.


