A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos voltou a enfrentar turbulências após o governo do presidente Donald Trump propor a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. A medida foi apresentada na segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), após a conclusão de uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas prejudiciais aos interesses de empresas norte-americanas.
A proposta, que ainda depende da aprovação final de Trump, foi elaborada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo autoriza Washington a adotar sanções e sobretaxas contra países acusados de manter barreiras ou políticas classificadas como abusivas ao comércio internacional.
Entre os principais pontos citados pelo relatório estão o Pix, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas no combate a corrupção. O documento sustenta que políticas públicas brasileiras relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central colocariam empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos em situação de “desvantagem injusta”.
Em abril deste ano, um relatório da Casa Branca já havia apontado que a expansão do Pix poderia afetar empresas norte-americanas de cartões de crédito que atuam no Brasil. Autoridades norte-americanas também haviam levantado questionamentos semelhantes em 2025.
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Apesar da proposta de sobretaxa, diversos produtos estratégicos ficaram de fora da lista. Entre as exceções estão carne bovina, café, terras-raras, equipamentos aeronáuticos e determinados grupos de frutas e hortaliças.
A iniciativa surge semanas após uma tentativa de aproximação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Os dois presidentes se reuniram em Washington em 7 de maio e discutiram tarifas comerciais, minerais críticos e cooperação no combate ao crime organizado.
Presidente Lula e Donald Trump durante encontro dos líderes na Casa Branca (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Na ocasião, o encontro foi classificado como positivo tanto pelo Palácio do Planalto quanto pela Casa Branca. Após a reunião, o republicano afirmou que a conversa havia sido “muito boa”, enquanto Lula declarou esperar avanços nas negociações comerciais entre os dois países.
O anúncio dos EUA também ocorre em meio ao esforço da Casa Branca para reformular sua estratégia tarifária. Após enfrentar reveses judiciais relacionados a medidas adotadas anteriormente, o governo norte-americano passou a recorrer a investigações específicas para justificar novas cobranças sobre importações.
Lula afirma que Estados Unidos temem Pix
No Brasil, o presidente Lula afirmou que a iniciativa foi baseada em uma “mentira” e atribuiu parte das críticas ao temor de que o “Pix pode abalar muito as chamadas empresas de cartão de crédito deles”.
Lula ainda associou a medida à atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo norte-americano. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. São vendilhões da Pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, afirmou.
Flávio afirma que pediu para Trump não taxar empresas brasileiras
Já o senador Flávio Bolsonaro, que cumpriu agenda em Washington em 26 de maio, declarou ser contrário à imposição das novas tarifas. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que sempre defendeu “as empresas brasileiras e, em qualquer oportunidade que tiver, vou continuar a defender nosso setor produtivo”.
O parlamentar ainda acrescentou: “Pedi expressamente ao presidente Trump para não taxar nossas empresas. Tarifa não é solução. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas, como faz Lula”.
