A decisão do governo brasileiro de revogar o visto do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie, que planejava viajar ao país para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão, repercutiu em veículos da imprensa internacional. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (13).
Jornais internacionais interpretaram o veto ao visto de Beattie como mais um sinal de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Rovena Rosa/ ABr)
O jornal britânico The Guardian afirmou que a regovação do visto evidencia atritos que ainda persistem entre Washington e Brasília. Segundo a publicação, as relações entre os dois países chegaram ao ponto mais baixo em anos após uma campanha de pressão conduzida pelo governo Trump, com tarifas e sanções direcionadas a autoridades brasileiras, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O jornal também recorda que, após encontro entre Trump e Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas no ano passado. “Após o encontro dos dois presidentes na ONU em setembro passado, o clima melhorou, com Trump elogiando a ‘grande química’ entre eles“, escreveu o veículo.
Em Washington, o The New York Times destacou preocupações sobre possível interferência norte-americana no cenário político brasileiro. A reportagem afirma que o envio de Beattie reacende temores de que Trump esteja tentando ajudar “um aliado de direita no Brasil — mais uma vez”.
Lula e Trump durante encontro em outubro de 2025 (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Já o The Washington Post ressaltou o argumento de reciprocidade apresentado por Lula ao justificar a medida. O jornal lembrou que o secretário de Estado Marco Rubio anunciou anteriormente a revogação de vistos de autoridades brasileiras supostamente ligadas a um programa cubano que envia médicos para atuar no exterior.
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