Um grupo de deputados do Partido Democrata pediu ao governo dos Estados Unidos que não classifique o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas estrangeiras. O apelo foi encaminhado ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, em carta enviada na quarta-feira (6), segundo a CNN.
No documento, os parlamentares afirmam que uma eventual decisão pode prejudicar a relação entre Washington e Brasília. “Tal medida seria contraproducente e prejudicial às relações entre os EUA e o Brasil”, escreveram os deputados.
Os democratas reconhecem que as facções representam ameaça regional e mencionam a expansão das organizações criminosas para países como Colômbia, Peru e Bolívia. A carta também associa os grupos a crimes ambientais na Amazônia e à violência contra comunidades locais e lideranças sociais.
Mesmo assim, os democratas questionam o uso da legislação antiterrorismo pelo governo Trump. Segundo o texto, há preocupação com a “instrumentalização das designações de Organização Terrorista Estrangeira” e com possíveis consequências políticas da medida.
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Os deputados democratas citam ainda episódios recentes envolvendo o Brasil para justificar o alerta ao Departamento de Estado. A carta menciona as sanções aplicadas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Embora as sanções contra Moraes tenham sido suspensas após mediação diplomática, permanecemos preocupados com a postura deste governo em relação ao Brasil, onde eleições nacionais serão realizadas em seis meses”, afirma o documento.
Na avaliação do grupo, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pode ser utilizada politicamente. “Tememos que a designação de organizações criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras seja usada para influenciar indevidamente as eleições em direção a um resultado que o governo considere politicamente favorável”, escreveram os parlamentares.










