A abertura da Copa do Mundo de 2026 transformou as ruas da Cidade do México em palco de uma disputa por visibilidade. Enquanto milhares de torcedores se preparavam para acompanhar a estreia do torneio nesta quinta-feira (11), diferentes grupos aproveitaram a atenção internacional voltada ao país para cobrar respostas do poder público sobre temas que vão da educação às milhares de pessoas desaparecidas no território mexicano.
Familiares de desaparecidos e apoiadores tentaram marchar em direção ao Estádio Azteca, onde México e África do Sul fariam a partida inaugural da competição. O avanço, porém, foi impedido pela polícia mexicana, que posicionou caminhões e barricadas para bloquear o acesso ao entorno do estádio. Diante do bloqueio, parte dos manifestantes seguiu para a região do Anjo da Independência carregando fotografias de parentes cujo paradeiro permanece desconhecido. Dados oficiais apontam que cerca de 130 mil pessoas seguem desaparecidas no país.
Professores ligados à Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) também foram às ruas desde a manhã desta quinta-feira. A categoria reivindica reajustes salariais e mudanças no modelo de aposentadoria. O grupo pretendia seguir até o Azteca, mas também foi contido pelas forças de segurança.
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Ao menos oito mobilizações estavam previstas na capital mexicana. Quatro delas ocorreriam nas proximidades do estádio e reuniriam, além dos familiares de desaparecidos, trabalhadores da saúde, organizações camponesas e representantes do Poder Judiciário.
Lula compara situação do México com Brasil em 2013
Ainda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou os protestos durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, na quarta-feira (10). Ao comparar a situação do México às manifestações no Brasil em 2013, afirmou que os atos acabaram sendo aproveitados pela extrema direita e relacionou esse processo ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016. O petista ainda afirmou: “Eu acho que tem o dedo de alguém e que, talvez, nem seja mexicano”.


