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Ataques no Líbano suspendem negociações no Oriente Médio

Administrador Por Administrador
2 de junho de 2026
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As negociações conduzidas por Estados Unidos e Irã para tentar alcançar um acordo no Oriente Médio enfrentaram novos obstáculos nesta segunda-feira (1º), após o agravamento da situação no Líbano. Informações divulgadas pela agência iraniana Tasnim apontaram que Teerã teria suspendido a troca de mensagens com mediadores responsáveis pelas conversas indiretas com Washington, em reação à intensificação das operações militares israelenses em território libanês.

Questionado pela NBC News sobre a suposta interrupção dos contatos diplomáticos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não ter recebido qualquer comunicado oficial do Irã e minimizou a informação. “Acho que temos falado demais, para falar a verdade. Acho que ficar em silêncio seria muito bom, e isso poderia durar muito tempo”, declarou.

Embora a suspensão das negociações não tenha sido confirmada oficialmente pelo governo iraniano, autoridades do país deixaram claro que a continuidade das tratativas depende da situação no Líbano. Durante entrevista coletiva em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que o fim dos ataques israelenses é condição indispensável para qualquer avanço diplomático. “Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”, disse.

 

Leia mais: Trump afirma está “perto de um acordo muito bom” com Irã  

Leia mais: Acordo de paz entre EUA e Irã segue cercado de incertezas

 

Irã acusa os EUA de descuprirem cessar-fogo
Baghaei também acusou os Estados Unidos de descumprirem os termos da trégua em vigor e afirmou que as ações norte-americanas ampliam a desconfiança entre as partes. “Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã. As violações do cessar-fogo são, por si só, indicativas de má conduta e má-fé por parte dos EUA e apenas intensificam a desconfiança existente, que, com razão, deve sempre permanecer em nossas mentes, em qualquer interação com o lado americano”, declarou.

As críticas foram reforçadas pelo presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em publicação na rede social X, ele afirmou que “o bloqueio naval imposto pelos EUA e a escalada dos crimes de guerra no Líbano por Israel são evidências claras do descumprimento do cessar-fogo pelos EUA”.

Netanyahu afirma que haverá ‘calma’ no Líbano
O aumento da tensão ocorreu após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciarem novos bombardeios contra áreas do sul de Beirute controladas pelo Hezbollah. Em comunicado conjunto, os dois afirmaram ter determinado ataques a “alvos terroristas” em resposta ao que classificaram como repetidas violações do cessar-fogo por parte do grupo apoiado pelo Irã.

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (Foto: Reprodução/ @netanyahu)
Katz afirmou que “não haverá calma em Beirute” enquanto persistirem ataques contra o norte de Israel e prometeu ampliar as operações militares na região do rio Litani, no sul do Líbano. Os bombardeios provocaram nova onda de deslocamentos em um conflito que já obrigou mais de um milhão de pessoas a deixarem suas casas.

A crise também teve reflexos no mercado internacional. Após a divulgação das informações da Tasnim sobre a possível interrupção das negociações, os preços do petróleo registraram alta superior a US$ 6 por barril.

Apesar das divergências, o programa nuclear iraniano permanece fora das conversas atuais. Segundo Baghaei, a prioridade de Teerã neste momento é encerrar a guerra. “Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra”, afirmou.

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