A implantação da terceira faixa na Marginal Botafogo continua nos planos da Prefeitura de Goiânia, mas as obras ainda não começaram. Apesar do anúncio feito pela administração municipal nas últimas semanas, a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET) informou que o projeto segue em fase de elaboração e estudos técnicos, sem data definida para o início das intervenções.
A proposta integra o Programa Nova Mobilidade e busca aumentar a capacidade de circulação em uma das vias mais movimentadas da Capital. A intenção é eliminar pontos de afunilamento que hoje contribuem para a formação de congestionamentos, especialmente nos trechos localizados sob pontes e viadutos.
Segundo a SET, a estratégia não prevê ampliação da pista por meio de desapropriações ou grandes obras estruturais. O plano consiste em reorganizar o espaço já existente ao longo da Marginal Botafogo para criar uma faixa adicional de circulação.
Como a terceira faixa será implantada
De acordo com o secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, a principal intervenção prevista será o reposicionamento dos guard-rails instalados próximos aos pilares dos viadutos.
Atualmente, essas estruturas de proteção ficam posicionadas entre 90 centímetros e 1,20 metro das colunas de sustentação. Com a mudança, os equipamentos serão deslocados para junto dos pilares, liberando espaço suficiente para a criação de uma nova faixa de rolamento.
“Estamos tirando o guard-rail da via e deixando colado na estrutura dos viadutos, com toda a proteção necessária e utilizando equipamentos novos e mais sinalizados”, explicou o secretário. A expectativa da prefeitura é que a medida permita ampliar a capacidade da Marginal Botafogo justamente nos pontos onde o fluxo costuma ficar mais lento.
Projeto prevê fim do acostamento
Uma das principais mudanças previstas no projeto é a eliminação do acostamento ao longo da via. O espaço atualmente utilizado para paradas emergenciais deverá ser incorporado à nova configuração da pista.
A prefeitura argumenta que a legislação não exige acostamento em vias urbanas, diferentemente do que ocorre nas rodovias. Mesmo assim, a alteração gera preocupação entre especialistas em mobilidade urbana.
Para compensar a retirada da área de escape, a administração municipal avalia reduzir o limite de velocidade da Marginal Botafogo dos atuais 80 km/h para 60 km/h.
Especialistas defendem a medida e alertam que a ausência de acostamento pode aumentar os riscos em situações de pane mecânica ou acidentes, já que os veículos precisarão parar diretamente sobre a pista.
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Objetivo é melhorar a fluidez do trânsito
A Marginal Botafogo é um dos principais corredores viários de Goiânia e recebe diariamente milhares de veículos. Por isso, a prefeitura aposta que a criação da terceira faixa ajudará a reduzir retenções e melhorar o deslocamento entre as regiões Sul, Central e Norte da cidade.
Enquanto o projeto avança na fase técnica, motoristas que utilizam a via diariamente ainda não percebem mudanças no trânsito. A SET reforça que não há cronograma definido para o início das obras e que os estudos necessários continuam em andamento antes da execução da intervenção.
Planejamento urbano também entra no debate
Para o especialista em trânsito Marcos Rothen, a criação da terceira faixa pode trazer ganhos importantes para a fluidez do tráfego, principalmente nos horários de pico. No entanto, ele ressalta que a medida precisa ser acompanhada por ações de planejamento urbano para que os benefícios sejam mantidos a longo prazo.
“É uma intervenção que tende a melhorar a capacidade da via e reduzir alguns gargalos existentes atualmente. Porém, nenhuma obra viária consegue resolver sozinha os problemas de mobilidade de uma cidade que continua crescendo. É necessário pensar também na ocupação urbana, no transporte coletivo e na distribuição dos polos geradores de tráfego”, avalia.
Segundo Rothen, o aumento constante da frota pode fazer com que o espaço criado seja ocupado rapidamente nos próximos anos. Por isso, ele defende que a ampliação da Marginal Botafogo seja acompanhada de estudos permanentes sobre mobilidade e desenvolvimento urbano.
