Atendendo à convocação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (SINTEGO), servidores administrativos e professores da rede municipal de Goiânia realizaram, na manhã desta sexta-feira (17), uma Assembleia Extraordinária com paralisação das atividades no período matutino. A mobilização impactou mais de 100 unidades escolares da capital, que tiveram as atividades suspensas durante a manhã.
Entre as principais reivindicações da categoria estiveram o pagamento das progressões de carreira em atraso, a reformulação do plano de carreira dos servidores administrativos, que atualmente recebem os menores salários da administração municipal, em alguns casos abaixo do salário mínimo, melhorias no Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas), a aplicação da chamada Lei do Descongel, referente à contagem do tempo de serviço congelado durante a pandemia, a não privatização da merenda escolar e a convocação dos aprovados em concurso público.
A presidente do SINTEGO, professora Ludymilla Moraes, destacou a situação crítica enfrentada pela categoria.
“Hoje, os administrativos são a categoria mais sofrida dentro da prefeitura como um todo. A maioria recebe menos que um salário mínimo de vencimento, precisando de complemento mensal, o que é inconstitucional”, afirmou.
Segundo ela, a principal pauta é a reformulação do plano de carreira. “Nós estamos reivindicando, sobretudo, o plano de carreira, porque é isso que vai garantir dignidade para esses trabalhadores”, explicou.
Servidores da educação de Goiânia paralisam atividades e cobram valorização da Prefeitura. Foto: Reprodução;/ Nívia Menegat O Hoje
Servidores da educação paralisam atividades
A presidente também cobrou o envio da data-base. “A data-base já é em maio e, até agora, não chegou nada à Câmara Municipal, nem houve qualquer anúncio por parte do prefeito”, pontuou.
Sobre os próximos passos, Ludymilla ressaltou que o sindicato tem buscado o diálogo. “A nossa meta com a Assembleia é colocar a categoria a par de todas as tentativas de negociação que o sindicato fez, que inclusive é uma prerrogativa legal. Sempre buscamos resolver as pautas antes de convocar a categoria.”
Ela reforçou que a categoria está aberta ao diálogo, mas cobra posicionamento do Executivo. “Nunca fomos intransigentes. Queremos construir soluções. Se a prefeitura sinalizar que vai resolver, nós vamos construir juntos.”
No entanto, fez um alerta: “Se a prefeitura continuar sem apresentar avanços nas pautas da educação, nós vamos gradativamente intensificar o movimento. E, se necessário, poderemos deflagrar greve na educação.”
Professor Izaias Carlos, 36 anos, é professor de História e recentemente se aposentou após trajetória dedicada à educação na Escola Municipal Itama Martins Ferreira, em Goiânia, afirmou que a categoria cobra respostas claras da Prefeitura de Goiânia sobre o reajuste salarial e valorização dos profissionais da educação.
“O prefeito chegou a anunciar que vai pagar o reajuste para os professores, mas não explicou como será feito. Nós temos direito ao retroativo desde janeiro”, destacou.
Segundo ele, os servidores administrativos também aguardam medidas urgentes. “Para os administrativos da educação, especialmente os que ganham menos e trabalham muito, não foi dito nada. Isso tem gerado indignação entre os trabalhadores”, afirmou.
Izaias ressaltou o papel do SINTEGO na mobilização. “O sindicato representa todos os profissionais da educação de Goiânia e de todo o estado. Estamos aqui para ouvir a categoria, tirar encaminhamentos e levar ao prefeito uma tentativa de diálogo para resolver o problema.”
O professor reforçou que a categoria deseja seguir trabalhando, mas com melhores condições. “A população quer que os CMEIs e as escolas funcionem normalmente, e nós também queremos trabalhar. Mas queremos trabalhar com dignidade, respeito e valorização.”
Napoleão Batista Ferreira da Costa, diretor do SINTEGO, explicou que a mobilização desta sexta-feira (17) foi motivada pela falta de valorização dos profissionais da educação municipal de Goiânia.
Servidores da educação de Goiânia paralisam atividades e cobram valorização da Prefeitura. Foto: Reprodução/ Nívia Menegat O Hoje
“Os servidores que trabalham na merenda, na portaria das escolas, nas secretarias, na limpeza, além dos professores que atuam nos CMEIs, creches e escolas do município, estão aqui hoje para cobrar do prefeito uma valorização real da categoria”, afirmou.
Segundo ele, apesar do trabalho prestado à população, os profissionais não têm recebido o devido reconhecimento. “É uma categoria que trabalha, entrega um serviço de qualidade, mas não está sendo devidamente respeitada em suas pautas de reivindicação”, destacou.
Entre as principais cobranças, Napoleão ressaltou a situação dos servidores administrativos da educação. “Muitos recebem menos que um salário mínimo. Nós queremos um plano de carreira e uma faixa salarial melhor, para que essas pessoas tenham dignidade e consigam pagar suas contas básicas, comprar alimento e remédios”, disse.
O diretor do SINTEGO também lembrou que houve promessa de mudanças por parte da gestão municipal. “O prefeito prometeu apresentar um plano de carreira, mas até agora esse projeto não chegou à Câmara Municipal de Goiânia”, pontuou.
Além disso, a categoria cobra outras demandas pendentes. “Queremos uma resposta sobre o pagamento da data-base e também das progressões atrasadas”, concluiu.
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