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Plano de drenagem quer combater alagamentos e enchentes em 3 décadas em Goiânia

Administrador Por Administrador
10 de junho de 2026
Em Cidades
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Plano de drenagem quer combater alagamentos e enchentes em 3 décadas em Goiânia

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A drenagem urbana na cidade de Goiânia já se tornou um problema crônico, com a aproximação das chuvas, a Capital entra em estado de alerta com os pontos mais problemáticos, como o córrego Botafogo, Cascavel e Ribeirão Anicuns. Anualmente, o poder público coloca em prática medidas emergenciais de contingência dos danos causados pelas enchentes e alagamentos, mas nunca houve um plano a longo prazo de resolução dessas questões.

Porém, pela primeira vez, foi entregue um Plano Diretor de Drenagem Urbana (PDDU) para Goiânia. Nesta terça-feira (9), foi realizada uma audiência pública de apresentação da versão final do Plano, na Câmara Municipal de Goiânia. Desenvolvido pela Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o documento estabelece diretrizes para o manejo das águas pluviais e o enfrentamento de problemas históricos.

A iniciativa busca substituir ações pontuais e emergenciais por uma política estruturada de drenagem urbana baseada em critérios técnicos. 

 

Segundo a Prefeitura, o levantamento considera fatores que vêm transformando a dinâmica hídrica da Capital nas últimas décadas, como o crescimento urbano acelerado, a impermeabilização do solo e a ocupação de áreas ambientalmente sensíveis. Esses processos têm contribuído para o aumento do volume de água escoada durante as chuvas, ampliando os riscos de enchentes, enxurradas e processos erosivos. Entre as áreas apontadas como mais sensíveis estão as bacias dos córregos Botafogo, Cascavel, Macambira e Taquaral, além do Ribeirão Caveiras.

O coordenador-geral do PDDU, professor Klebber Formiga, destaca que o principal avanço do estudo é permitir que a drenagem urbana passe a ser tratada como política permanente de planejamento e não apenas como resposta a situações de emergência após períodos de chuva intensa. Em sua fala, durante a audiência, Formiga destacou que “embora tenhamos 90 anos de existência [Goiânia], nossa drenagem ainda está engatinhando”.

Além disso, Formiga ressaltou que foram necessários três anos e mais de 60 pessoas para a conclusão do PDDU. “O plano é apenas a receita, igual quando se vai ao médico e ele te entrega a receita do remédio para o tratamento”, comenta.

Funcionamento

De acordo com o vice-coordenador do PDDU, Raviel Bassos, o plano de ações apresentado na tarde desta terça-feira estabelece metas de curto (5 anos), médio (15 anos) e longo prazo (30 anos). “O plano de ações traz quais bacias devem ser priorizadas e, principalmente, ele traz um compilado em relação às obras a serem desenvolvidas pelo Plano Diretor e pela Prefeitura para garantir a mitigação dos problemas de inundações e de alagamentos”, explica.

Estão previstas 63 obras de grande porte, que incluem a construção de reservatórios, substituição de galerias, troca de grades e elevação de ruas para detenção de água. “Seriam 63 obras  para trazer  um horizonte de aplicação e mitigação para a drenagem de Goiânia”, ressalta.

Para o caso específico do Córrego Botafogo, um dos mais críticos da Capital, a proposta inclui reservatórios de amortecimento e a retirada e substituição de uma galeria fechada na região da Avenida Independência por um canal aberto, além da instalação de um dissipador de energia para evitar o transbordamento e processos erosivos. O plano também prevê a ampliação de parques, como o Macambira Anicuns, e a construção de um dique na região do Meia Ponte com o mesmo fim.

Desafios atuais

Entre os  principais problemas está a elevada impermeabilização do solo, resultado da expansão urbana e da substituição de áreas naturais por pavimentação e construções. Quando a água da chuva não consegue infiltrar no terreno, o volume escoado pelas ruas aumenta significativamente, sobrecarregando galerias e sistemas de drenagem.

Outro obstáculo recorrente é a insuficiência ou o envelhecimento da infraestrutura existente. Para contornar estes problemas, um dos pontos do PDDU é a melhoria dos sistemas de micro e macrodrenagem. A macrodrenagem consiste no escoamento de grandes volumes pluviais, já a microdrenagem realiza o mesmo processo, porém em regiões menores e mais localizadas.

O plano sugere a transição de um modelo convencional, de rápido direcionamento das águas, para uma gestão integrada do escoamento superficial. No caso da macrodrenagem, serão feitas melhorias nas galerias, melhorias estruturais e alternativas sustentáveis que retém a água da chuva na fonte, como telhados verdes, pavimentos permeáveis e poços de infiltração.

Para a microdrenagem serão feitas adequações em áreas críticas, expansão da rede, melhoria na captação com bocas de lobo e simulação hidrológica, para prever cenários extremos de chuvas e subsidiar o planejamento de projetos e intervenções.

Corrida contra a próxima estação chuvosa começa
Entre as prioridades estão intervenções nas bacias dos córregos Botafogo, Cascavel, Macambira e Taquaral, além do Ribeirão Caveiras – Foto: Gabriel Louza/O HOJE

Com o plano de ações do PDDU em mãos, a Prefeitura e a Seinfra planejam colocar em prática as mudanças mais urgentes antes do começo das chuvas. O arquiteto e urbanista Fred Le Blue acredita que a demora para a entrega da proposta poderá obrigar as autoridades a repensar algumas iniciativas emergenciais já tomadas em relação às obras de infraestrutura para corrigir os problemas das fortes chuvas de 2025 e 2026.

“O crescimento urbano acelerado que culminou na impermeabilização do solo e pela ocupação de áreas verdes resultou em problemas crônicos para o sistema de drenagem urbana. Assim como eles surgiram a longo prazo, as soluções deverão ter por base um projeto de Estado que dure, pelo menos, duas gestões. No entanto, os maiores desafios podem ser atacados com mais urgência como os córregos Botafogo, Cascavel, Macambira e Taquaral e  Ribeirão Caveiras”, ressalta.

Em relação às ações que serão feitas pelo Paço, a superintendente de Obras e Serviços de Infraestrutura Urbana, Flávia Ribeiro Dias, destacou que as áreas mais críticas e que mais afligem a população atualmente são as bacias do córrego Botafogo e do córrego Cascavel. Para tentar diminuir os impactos antes do próximo período de chuvas no final do ano, a prefeitura está aproveitando a época de seca para realizar obras na Marginal Botafogo, um dos pontos mais afetados.

A principal intervenção emergencial prevista é a construção de uma bacia de contenção no início do córrego Botafogo. O objetivo desta obra é segurar o volume de água próximo ao local onde ela é gerada, impedindo que a enxurrada ganhe velocidade.

Ainda neste sentido, a superintendente faz uma ressalva, lembrando que o plano apresentado é um projeto de longo prazo que contempla os próximos 30 anos, onde ele visa trazer segurança para a população por meio de soluções sustentáveis. Além de reconhecer que os problemas de drenagem foram agravados pelo aumento das áreas impermeáveis da cidade e pelas mudanças climáticas globais, ela ainda adianta que o prefeito Sandro Mabel está tratando a drenagem como prioridade, concentrando esforços para licitar as obras o mais rápido possível e buscando recursos para os projetos.

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