A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga dois funcionários do Banco de Brasília (BRB), empresários e um servidor público federal por suspeita de participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 15 milhões. Segundo a Operação Insider, deflagrada nesta quinta-feira (7), parte dos recursos analisados teria origem em uma fraude milionária de boletos bancários aplicada contra empresas privadas em São Paulo e, posteriormente, canalizada por meio de contas ligadas a uma agência do BRB em Ceilândia, no Distrito Federal.
De acordo com a Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), os investigadores identificaram transferências suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas, uso frequente de dinheiro em espécie e circulação fracionada de valores entre ao menos 12 contas bancárias no DF. Um dos depósitos sob análise ultrapassou R$ 1 milhão. Além disso, a apuração aponta sinais de ocultação patrimonial, incluindo aquisição de veículos de alto valor e movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal declarada por alguns investigados.
“Conseguimos delinear um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção”, afirmou o diretor do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), delegado Leonardo Cardoso.
Agência em Ceilândia e conexões entre investigados
A investigação começou após denúncia apresentada pelo próprio BRB, baseada em auditoria interna iniciada em maio de 2025. Conforme a corporação, a análise interna detectou irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance dentro da instituição.
Segundo a polícia, o gerente de uma agência em Ceilândia teria participado de operações suspeitas, enquanto outro funcionário da mesma unidade também aparece entre os alvos. As diligências ainda apontam conexões pessoais entre parte dos investigados, incluindo empresários, servidores e funcionários do banco que se conheciam e, em alguns casos, moravam no mesmo condomínio em Águas Claras.
O delegado-chefe da DRCOR, Diogo Cavalcante, classificou o caso como “um sofisticado esquema criminoso, com indícios de omissão de uma agência bancária”.
Entre os pontos apurados está a suspeita de que um dos envolvidos recebeu percentual relacionado à venda de três carteiras de ativos avaliadas em mais de R$ 60 milhões. Para a investigação, os valores são considerados incompatíveis com os rendimentos oficialmente registrados.
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Bloqueios, mandados e bens de luxo
Ao todo, a Operação Insider cumpre 17 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Ninguém foi preso até o momento. A Justiça também determinou o bloqueio financeiro proporcional às movimentações suspeitas, além da restrição sobre a transferência de oito veículos de luxo e de um imóvel no Distrito Federal ligado a um dos investigados.
Um dos alvos, que mantinha sala comercial em Águas Claras, passou a chamar atenção dos investigadores pelo padrão de vida elevado. A Polícia Civil também solicitou bloqueio adicional de contas bancárias, medida que ainda aguarda decisão judicial.
Em nota, o BRB informou: “A investigação do BRB teve início ainda em maio de 2025, evidenciando a atuação proativa e diligente do Banco na identificação e tratamento de indícios de irregularidades”.
O Governo do Distrito Federal também se manifestou e declarou que: “Desde a identificação das irregularidades, todas as informações foram encaminhadas às autoridades competentes para apuração rigorosa dos fatos. Não haverá complacência com qualquer desvio de conduta dentro da instituição”.
Segundo a PCDF, a operação não possui relação com investigações envolvendo o Banco Master. Se houver condenação, os investigados poderão responder por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas somadas que podem chegar a 30 anos de prisão.








