O fundador do Instituto Goiano de Yoga, Nestor Pereira da Mota, morreu na madrugada desta segunda-feira (29), em Goiânia, aos 86 anos. Licenciado em Educação Física, ex-preso político durante a ditadura militar e um dos principais responsáveis pela difusão da yoga em Goiás, ele sofreu insuficiência respiratória após contrair uma pneumonia.
O velório será realizado nesta terça-feira (30), no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia. O horário do sepultamento ainda não foi definido, pois a família aguarda a chegada de um dos filhos, que trabalha na Embaixada do Brasil na França.
Trajetória marcada pela resistência e pelo ensino da yoga
Natural de Porto Nacional, atual estado do Tocantins, Nestor nasceu em 26 de fevereiro de 1940. Antes de se dedicar à yoga, iniciou sua formação religiosa como noviço no convento dos frades dominicanos, em 1966, e cursou Filosofia no Instituto de Formação Teológica de São Paulo.
Durante a ditadura militar, foi preso no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Mesmo encarcerado, passou a ensinar técnicas de respiração e meditação aos companheiros de cela como forma de amenizar o sofrimento e fortalecer o equilíbrio emocional dos presos. Entre eles estavam Frei Betto e Frei Tito Alencar, importantes nomes da resistência ao regime militar.
Fundador do Instituto Goiano de Yoga
Em 1971, já em Goiânia, Nestor fundou o Instituto Goiano de Yoga. A proposta era ensinar a prática com base em estudos científicos desenvolvidos pelo Instituto de Pesquisas Kavalayadham, na Índia, aproximando a tradição oriental da pesquisa acadêmica.
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Ao longo de mais de cinco décadas, levou aulas de yoga para escolas, empresas, órgãos públicos, instituições comunitárias e grupos de diferentes perfis. Também trabalhou com estudantes em preparação para vestibulares, profissionais submetidos a rotinas intensas e servidores públicos, defendendo a yoga como ferramenta para promover qualidade de vida e prevenir doenças relacionadas ao estresse.
“Gandhi do Cerrado”
A história vivida durante a ditadura foi registrada no livro Batismo de Sangue, escrito por Frei Betto e adaptado para o cinema em 2007. Anos depois, a ligação com Frei Tito rendeu a Nestor o apelido de “Gandhi do Cerrado”, em referência à sua serenidade e à defesa de uma filosofia baseada na paz, no autoconhecimento e na não violência.
Além da atuação como professor, Nestor presidiu e organizou o VIII Congresso Latino-Americano de Yoga, fortalecendo o intercâmbio entre praticantes e pesquisadores da área e consolidando seu nome como uma das principais referências da yoga em Goiás.
Nestor Pereira da Mota deixa a esposa, Lyra Galvão e Silva Mota, companheira de vida e de trabalho, os filhos Alano Mota e Nestor Filho, além de quatro netos.
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