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Mesmo com liminar do TJ-GO, servidores da Educação mantêm greve em Goiânia

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12 de maio de 2026
Em Cidades
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Mesmo com liminar do TJ-GO, servidores da Educação mantêm greve em Goiânia

A greve dos trabalhadores da rede municipal de Educação de Goiânia começa oficialmente nesta terça-feira, 12 de maio, mesmo após decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) que determinou regras para garantir o funcionamento parcial das escolas durante a paralisação. 

O movimento, aprovado em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), reúne professores e servidores administrativos e marca o momento mais tenso da relação entre a categoria e a Prefeitura de Goiânia desde o início da gestão do prefeito Sandro Mabel, em janeiro de 2025.

Mesmo após a liminar expedida pelo desembargador Maurício Porfírio Rosa, o sindicato confirmou a manutenção da greve e afirmou que o movimento seguirá dentro da legalidade. A Justiça não proibiu a paralisação, mas determinou que pelo menos 70% dos servidores da rede municipal permaneçam em atividade, principalmente nas unidades de educação infantil e nos serviços ligados à alimentação escolar.

A decisão judicial também impede bloqueios que dificultem o acesso às escolas e prevê multa diária de R$ 5 mil ao sindicato em caso de descumprimento, limitada inicialmente a R$ 50 mil. Além disso, o Sintego deverá apresentar um plano mínimo de funcionamento das unidades escolares durante a paralisação.

Justiça tenta equilibrar greve e aulas
A Prefeitura de Goiânia entrou na Justiça pedindo a suspensão total da greve, alegando risco de prejuízo aos estudantes e ausência de garantias mínimas para funcionamento das escolas. O município argumentou ainda que as negociações entre as partes ainda não haviam sido encerradas.

Na decisão, porém, o TJ-GO reconheceu que o direito de greve é garantido pela Constituição Federal e entendeu que impedir totalmente o movimento seria uma medida extrema. Apesar disso, o desembargador ressaltou que o exercício desse direito “não é absoluto” quando há impacto direto sobre serviços públicos essenciais.

A liminar aponta preocupação principalmente com o funcionamento da educação infantil, a alimentação escolar e o atendimento às crianças da rede municipal. Segundo a decisão, o objetivo é “compatibilizar o exercício do direito de greve com a preservação mínima do serviço público educacional”.

Outro ponto destacado pela Justiça foi a ausência de informações detalhadas por parte do sindicato sobre quantos servidores permaneceram trabalhando, quais unidades seguiriam abertas e como seriam mantidos serviços considerados essenciais.

Mesmo assim, a paralisação foi mantida. O Sintego afirma que todas as greves anteriores respeitaram os limites legais e garantiram o funcionamento mínimo das escolas.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) afirma que mantém diálogo aberto com os trabalhadores e destaca medidas adotadas ao longo da gestão, como pagamento do piso salarial nacional dos professores e da data-base em 2025.

Em meio ao avanço da greve, a Prefeitura de Goiânia afirma que mantém diálogo aberto com os trabalhadores da Educação e destaca medidas adotadas pela atual gestão. Ainda nesta  segunda-feira (11), o prefeito em exercício, Anselmo Pereira, encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê reajuste de 5,4% nos salários e benefícios dos servidores da rede municipal de Educação, com efeitos retroativos a 1º de maio de 2026. 

Segundo a administração municipal, a atualização acompanha a evolução do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério. O reajuste também contempla benefícios como Gratificação de Regência de Classe, Auxílio Locomoção e gratificações ligadas a atividades de pesquisa e capacitação

A administração municipal também informou que pretende adotar medidas administrativas e jurídicas para reduzir os impactos da paralisação e garantir o funcionamento das escolas durante os próximos dias.

Leia mais: Hugol registra mais de 2 mil atendimentos por queimaduras em 2026

Crise entre Paço e servidores se arrasta desde o início da gestão
A atual greve é resultado de uma sequência de mobilizações iniciadas ainda nos primeiros meses da gestão Sandro Mabel. Desde janeiro de 2025, servidores da Educação municipal realizam protestos, assembleias e paralisações cobrando valorização profissional, pagamento de progressões atrasadas e melhorias nas condições de trabalho.

Ainda nos primeiros 100 dias do governo, trabalhadores protestaram contra as medidas de austeridade anunciadas pela prefeitura, principalmente após a suspensão de adicionais e gratificações. Em dezembro de 2025, novos atos ocorreram após denúncias envolvendo fechamento de vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) e críticas à compra de vagas na rede privada.

Agora, em maio de 2026, a aprovação da greve geral representa o auge do desgaste entre categoria e administração municipal. A paralisação deve impactar mais de 370 unidades da rede municipal, entre escolas e Cmeis.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão o pagamento de progressões funcionais atrasadas, reajuste do piso salarial dos professores, aplicação da data-base dos administrativos, reformulação do plano de carreira, convocação de aprovados em concursos públicos e regularização de enquadramentos funcionais. O sindicato também cobra melhorias estruturais nas escolas e denuncia déficit de servidores em diversas unidades da rede municipal.

Salários baixos e acordos não cumpridos
Servidores administrativos afirmaram que enfrentam dificuldades financeiras e denunciaram a prefeitura por descumprir acordos firmados em greves anteriores. A servidora Vanessa afirmou que os trabalhadores administrativos lutam desde 2022 pela criação de um plano de carreira e pela valorização salarial.

“Nem o salário aprovado em lei está sendo pago corretamente. Fizemos greve em 2022, 2023 e 2024, mas os acordos não foram cumpridos. Hoje muitos servidores recebem menos que um salário mínimo e precisam de complementação”, declarou.

Já a servidora Jaqueline destacou que os administrativos se sentem invisibilizados dentro da rede municipal. “Somos nós que fazemos a limpeza, a merenda, a secretaria e a portaria das escolas. Estamos cansados de promessas e sem reconhecimento como educadores”, afirmou.

A presidente em exercício do Sintego, Ludmylla Morais, reforçou que a greve foi aprovada após meses de negociações sem avanços concretos. Segundo ela, a categoria chegou ao limite após sucessivos atrasos em progressões e reivindicações históricas sem solução.

A expectativa é de que a greve afete diretamente milhares de famílias, principalmente aquelas que dependem dos Cmeis para manter a rotina de trabalho.

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