Uma clínica especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), localizada em Santo Antônio de Goiás, foi denunciada à Polícia Civil após auditorias e levantamentos técnicos da Unimed Goiânia apontarem indícios de irregularidades na prestação dos serviços e no faturamento dos atendimentos.
O caso foi formalizado junto ao 4º Distrito Policial de Goiânia. Segundo a denúncia, os responsáveis pela clínica podem responder, em tese, pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e associação criminosa.
De acordo com a apuração, pacientes autorizados para atendimento na unidade credenciada em Santo Antônio de Goiás estariam sendo efetivamente atendidos em clínicas localizadas em Goiânia, em desacordo com as condições aprovadas pela operadora de saúde.
Auditoria identificou divergências
Segundo a Unimed Goiânia, a clínica teria obtido pagamentos mediante a alegação de insuficiência de rede credenciada em Santo Antônio de Goiás, embora os atendimentos fossem realizados em outro município.
As auditorias identificaram divergências entre registros lançados nos sistemas, listas de frequência e os locais onde os atendimentos teriam ocorrido. Também foram constatados lançamentos vinculados a uma unidade que já não mantinha parceria com a operadora.
Leia mais: Vereador de Goiânia é alvo de operação que apura suposto esquema de propina para liberação de alvarás
Ainda conforme a apuração, funcionários das clínicas teriam orientado responsáveis por pacientes a solicitar atendimento em município diferente daquele onde o serviço seria efetivamente prestado.
Casos semelhantes estão sob investigação no país
O caso ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre serviços terapêuticos destinados a crianças com TEA em diferentes estados brasileiros.
Em Goiás, uma investigação conduzida pela Polícia Civil no fim de 2025 resultou no indiciamento de profissionais ligados a uma clínica especializada após a identificação de supostas irregularidades em registros de atendimentos, documentos assistenciais e faturamento de terapias.
Já em São Paulo, uma operação policial realizada neste ano teve como alvo clínicas suspeitas de simular atendimentos, emitir laudos falsos e obter ressarcimentos indevidos junto a operadoras de saúde.
Unimed reforça compromisso com os pacientes
Segundo o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Goiânia, Francisco Albino Rebouças Júnior, a apuração rigorosa é necessária porque envolve diretamente crianças em tratamento contínuo.
“Quando falamos de terapias destinadas a crianças com TEA, estamos falando de um público extremamente vulnerável. A rede credenciada é construída com base em critérios técnicos, estrutura adequada, profissionais habilitados e processos que garantam a segurança assistencial”, afirmou.
O médico destacou ainda que a fiscalização busca garantir que os atendimentos ocorram nos locais credenciados, com profissionais cadastrados e dentro das condições aprovadas pela operadora.
Ele ressaltou que as famílias não serão prejudicadas.
“É importante lembrar que nenhuma criança ficará sem atendimento. Para qualquer dúvida, a Unimed conta com um número exclusivo para atendimento das famílias de crianças com TEA”, reforçou.
A denúncia foi formalizada pela Unimed Goiânia junto à Polícia Civil por meio de Registro de Atendimento Integrado (RAI) lavrado no 4º Distrito Policial de Goiânia. No documento, a operadora relata indícios de estelionato decorrentes da suposta realização de atendimentos em local diverso do autorizado, além de inconsistências em registros e faturamentos apresentados pelas clínicas investigadas. O caso segue sob apuração das autoridades policiais.


